Medida aprovada por unanimidade busca reorganizar finanças e renegociar dívidas em cenário de prejuízos.

A Cotribá iniciou o processo de liquidação extrajudicial, mantendo a continuidade de suas atividades, ante uma perspectiva de prejuízo de R$ 164 milhões e um patrimônio estimado em R$ 800 milhões, dos quais 90% estão comprometidos com garantias e penhoras judiciais.
A informação foi divulgada pela equipe jurídica da cooperativa em uma coletiva de imprensa após a assembleia geral extraordinária que aprovou a medida, com a nova direção priorizando a renegociação de dívidas, reorganização financeira, intensificação da cobrança de devedores e manutenção das operações comerciais.
✨ A autorização para a liquidação foi aprovada por unanimidade pelos associados presentes na assembleia, com 375 cooperados comparecendo, apesar da diminuição do quórum durante o evento.
Sérgio Strentzke, presidente da Cotribá, assumiu a função de presidente liquidante, com participação dos conselheiros fiscais Paulo Prediger, Ingo Ahlert e Marcio Garmatz. Strentzke afirmou que a liquidação foi a única alternativa para manter a operação da cooperativa e que o objetivo é reorganizar a instituição, com a possibilidade de, futuramente, encerrar a liquidação e voltar à estrutura regular.
A equipe jurídica detalhou a situação financeira da Cotribá, que apresentava um faturamento de R$ 313 milhões e uma projeção de prejuízo considerável. A administração trabalha para reduzir essa perda até o fim do ano, embora reconheça que isso não será completamente possível. As perdas refletem sobre os associados, com o critério de distribuição das perdas já aprovado para 20 anos, incluindo dois anos de carência.
Adicionalmente, 90% do patrimônio da cooperativa está comprometido, dificultando novos investimentos. A nova administração buscará acordos com instituições financeiras e fundos de investimento para atenuar o impacto das dívidas. Já há negociações em andamento antes da decisão final sobre a liquidação, embora não haja garantias de sucesso.
Os bloqueios judiciais também complicam as operações financeiras da cooperativa, restringindo a movimentação das contas bancárias. A formalização da liquidação deverá oferecer à Cotribá a proteção legal necessária para reorganizar a gestão de caixa e negociar os débitos.
Sobre os credores, Strentzke revelou que ainda não há um cronograma de pagamentos para aqueles que possuem valores a receber, sendo necessário desenvolver um plano que leve em consideração a realidade financeira da cooperativa. A administração pretende aprender com as experiências de outras cooperativas em situações similares.
A nova gestão enfocará a continuidade das operações comerciais, com a fábrica de rações e o recebimento de grãos entre suas prioridades. A expectativa é que parcerias comerciais se fortaleçam agora que a assembleia autorizou a liquidação, facilitando negociações que haviam sido postergadas.
Embora não tenha sido especificado um plano de cortes, Strentzke alertou que a capacidade de pagamento da cooperativa irá depender da movimentação financeira. A possibilidade de venda de unidades ou ajustes no quadro funcional não está descartada.
Com a nova administração, novas estruturas de acompanhamento serão implementadas, sendo que um conselho fiscal supervisionará as operações e uma auditoria externa independente será contratada para garantir a transparência durante a liquidação.
O presidente liquidante também expressou a intenção de investigar irregularidades das gestões anteriores, buscando clarificar decisões passadas que afetaram a atual situação da Cotribá.
Por fim, Strentzke enfatizou que a participação dos associados será crucial para o futuro da cooperativa, indispensável para a recuperação da confiança e regularização das operações comerciais.
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