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Demanda por executivos cresce no agronegócio devido a desafios financeiros

Setor busca especialistas em finanças e gestão de riscos

Tiago Abech21 de abril de 2026 às 11:45
Demanda por executivos cresce no agronegócio devido a desafios financeiros

A crescente dificuldade financeira no agronegócio brasileiro está resultando em um aumento significativo na demanda por executivos especializados. Com a elevação das taxas de juros e a diminuição do crédito, as empresas do setor estão focando em uma gestão financeira mais rigorosa.

Mudanças no cenário do agronegócio

Após anos de expansão, o agronegócio enfrenta um novo contexto marcado pela volatilidade nos preços das commodities e elevações nos custos operacionais. Um estudo da FESA Group revela que a demanda por profissionais nas áreas financeiras e de riscos dobrou em 2024, continuando a crescer em 2025.

A pesquisa apontou um aumento de 36% nas vagas relacionadas a crédito e risco e um salto de 53% para posições financeiras.

As regiões Centro-Oeste e Norte, que concentram a maior parte do agronegócio, estão sendo mais afetadas pela necessidade urgente de gestores financeiros e de riscos. Esse movimento reflete a necessidade das empresas de se adaptarem a um ambiente de negócios mais complexo após um ciclo anterior de crescimento acelerado, que ocorreu entre 2018 e 2022.

Com a elevação das taxas de juros e a queda nos preços das commodities, muitas empresas familiares, que costumavam operar com um modelo de gestão mais informal, começam a perceber a importância de um controle financeiro mais sofisticado. Como destaca Anderson Schemberg, vice-presidente da FESA Group, 'as empresas estão exigindo uma abordagem mais atenta sobre a saúde financeira.'

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Houve uma transição do foco relacional para uma gestão de riscos mais efetiva exige adaptação nas estruturas organizacionais

Anderson Schemberg.

Esse aumento na necessidade de execução financeira está relacionado à complexidade das operações, especialmente em renegociações de dívidas. Essa tendência, segundo Schemberg, deve continuar nos próximos anos, já que empresas maiores, com faturamento acima de R$ 800 milhões, estão buscando líderes financeiros, enquanto as menores demandam gerentes administrativos.

Os desafios incluem a falta de profissionais qualificados na região, além da necessidade de conhecimento específico do setor, o que torna a oferta de candidatos ainda mais restrita.

Além disso, muitos executivos necessitam ter fluência em línguas estrangeiras, devido à presença de sócios internacionais nas empresas. "As particularidades do agronegócio exigem profissionais experientes, mas a formação em larga escala não está acompanhando essa demanda", comenta Schemberg.

Neste cenário, as margens de lucro estão sob pressão, uma vez que os custos de produção permanecem altos e os preços internacionais já não são tão favoráveis. Em adição, a iminente reforma tributária, prevista para ser implementada entre 2027 e 2028, deverá gerar uma nova demanda por profissionais qualificados, como advogados, contadores e consultorias.

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Antecipar-se às mudanças pode oferecer uma vantagem competitiva significativa

Anderson Schemberg.

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