Presidente da Stellantis na América do Sul menciona a ascensão das montadoras chinesas no mercado.

O presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, declarou que a indústria automotiva ocidental cometeu um erro ao não avaliar corretamente a rápida ascensão da eletrificação no mercado global. Isso permitiu que montadoras chinesas ganhassem protagonismo no desenvolvimento de veículos elétricos.
Durante uma entrevista, Zola admitiu que, embora as montadoras tradicionais não tenham subestimado a força da indústria chinesa, a previsão sobre seu avanço foi imprecisa. Em 2025, a participação dos fabricantes chineses no Brasil era de 9%, atingindo 17% em 2026, e em um único mês superou a marca de 25%.
✨ “A indústria ocidental errou na leitura de mercado daquilo que poderia se estabelecer em termos de velocidade”, afirmou Zola.
Zola também apontou que durante a pandemia, as montadoras priorizaram questões logísticas em detrimento do desenvolvimento técnico. Ele criticou o fato de que a indústria ocidental terceirizou parte da produção, ao passo que as chinesas internalizaram processos, aumentando sua competitividade.
Embora reconheça falhas do setor, Zola citou as dificuldades de competitividade no Brasil, onde o custo de insumos locais, como o aço, é superior ao de países como a China. Ele destaca que, sem um imposto de importação elevado, modelos de montagem como SKD e CKD são mais vantajosos para fabricantes estrangeiros.
Nos primeiros meses de 2026, o Brasil importou 406,7 mil veículos, com 221 mil viaturas vindo da China, um aumento significativo em comparação ao ano anterior. Zola enfatizou que a previsibilidade é crucial para o futuro da indústria automotiva no país e que a Stellantis busca maneiras de se adaptar às novas exigências do mercado.
A estratégia atual da Stellantis é entender e atender ao novo perfil do consumidor, promovendo uma redução de custos inteligente, de forma a não comprometer a qualidade e valor dos produtos oferecidos.
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Jornalista especializado em Negócios

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