Paulo Goulart busca recuperação judicial para a Cotribá em graves dívidas
Cooperativa agrícola histórica enfrenta R$ 1,4 bilhão em dívidas.

Desde o início de 2026, Paulo Goulart lidera a Cotribá, buscando reestruturar a cooperativa enquanto tenta formalizar um pedido de recuperação judicial inédito para uma entidade agrícola. O principal desafio é lidar com um passivo de R$ 1,4 bilhão.
Estabelecida em 1911, a Cotribá é a cooperativa mais antiga em operação no Brasil, com aproximadamente 9.500 associados e mais de 60 unidades comerciais no Rio Grande do Sul. Goulart prevê uma significativa redução no faturamento, que anteriormente alcançou R$ 4 bilhões, estimando um valor de R$ 1 bilhão para 2026, abaixo do montante da dívida.
✨ A recuperação da credibilidade da Cotribá é uma prioridade para Goulart, que iniciou o processo com auditorias.
A cooperativa está sob nova gestão desde a renúncia de Celso Krug, que comandou as operações desde 1993. A mudança tem como objetivo romper com um estilo de administração criticado por Goulart, caracterizado por decisões unilaterais que não contemplavam os interesses de todos os envolvidos.
"O histórico aqui era uma administração de produtores rurais, de pessoas que tinham uma gestão estilo ‘coronel’, de cima para baixo
Para lidar com a crise, Goulart defende que a cooperativa deve reduzir seu tamanho, o que implica na venda de ativos para o pagamento das dívidas. Embora não especifique quais ativos, garante que a fábrica de rações, inaugurada em 2024, não está entre as opções de venda.
Uma das primeiras medidas de contenção foi a drástica diminuição da força de trabalho, com quase 50% dos 1.200 funcionários demitidos. Atualmente, a Cotribá conta com cerca de 670 colaboradores, e Goulart destaca que o foco futuro será na contratação de profissionais mais qualificados.
Com um contrato até 2028, Goulart também está à frente da gestão da Highway Capital, investindo em ativos estressados, o que complementa sua experiência na reestruturação empresarial.
Paralelamente, Goulart tenta validar a recuperação judicial da Cotribá, enfrentando resistência devido a dívidas acumuladas com 30 instituições financeiras, totalizando mais de R$ 500 milhões. Em novembro de 2025, a cooperativa solicitou proteção judicial para evitar ações de cobrança durante a reestruturação.
A iniciativa enfrenta críticas, com advogados argumentando que a legislação não prevê recuperação judicial para cooperativas agrícolas, mas sim liquidação extrajudicial. Goulart defende que a lei não é clara sobre o caso específico da Cotribá, que reúne produtores rurais.
✨ A recuperação judicial pode oferecer ao devedor maior proteção, permitindo negociações coletivas entre credores.
O debate jurídico segue acirrado, com especialistas alertando que a insistência da Cotribá na recuperação judicial pode levar a complicações legais e insegurança no mercado. Depois de uma recente decisão desfavorável, Goulart está preparado para levar a questão às instâncias superiores, buscando um acordo sistemático com os credores.
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