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Paulo Goulart busca recuperação judicial para a Cotribá em graves dívidas

Cooperativa agrícola histórica enfrenta R$ 1,4 bilhão em dívidas.

Acro Rodrigues16 de junho de 2026 às 05:10
Paulo Goulart busca recuperação judicial para a Cotribá em graves dívidas

Desde o início de 2026, Paulo Goulart lidera a Cotribá, buscando reestruturar a cooperativa enquanto tenta formalizar um pedido de recuperação judicial inédito para uma entidade agrícola. O principal desafio é lidar com um passivo de R$ 1,4 bilhão.

Estabelecida em 1911, a Cotribá é a cooperativa mais antiga em operação no Brasil, com aproximadamente 9.500 associados e mais de 60 unidades comerciais no Rio Grande do Sul. Goulart prevê uma significativa redução no faturamento, que anteriormente alcançou R$ 4 bilhões, estimando um valor de R$ 1 bilhão para 2026, abaixo do montante da dívida.

A recuperação da credibilidade da Cotribá é uma prioridade para Goulart, que iniciou o processo com auditorias.

A cooperativa está sob nova gestão desde a renúncia de Celso Krug, que comandou as operações desde 1993. A mudança tem como objetivo romper com um estilo de administração criticado por Goulart, caracterizado por decisões unilaterais que não contemplavam os interesses de todos os envolvidos.

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O histórico aqui era uma administração de produtores rurais, de pessoas que tinham uma gestão estilo ‘coronel’, de cima para baixo

Paulo Goulart.

Para lidar com a crise, Goulart defende que a cooperativa deve reduzir seu tamanho, o que implica na venda de ativos para o pagamento das dívidas. Embora não especifique quais ativos, garante que a fábrica de rações, inaugurada em 2024, não está entre as opções de venda.

Uma das primeiras medidas de contenção foi a drástica diminuição da força de trabalho, com quase 50% dos 1.200 funcionários demitidos. Atualmente, a Cotribá conta com cerca de 670 colaboradores, e Goulart destaca que o foco futuro será na contratação de profissionais mais qualificados.

Com um contrato até 2028, Goulart também está à frente da gestão da Highway Capital, investindo em ativos estressados, o que complementa sua experiência na reestruturação empresarial.

Paralelamente, Goulart tenta validar a recuperação judicial da Cotribá, enfrentando resistência devido a dívidas acumuladas com 30 instituições financeiras, totalizando mais de R$ 500 milhões. Em novembro de 2025, a cooperativa solicitou proteção judicial para evitar ações de cobrança durante a reestruturação.

A iniciativa enfrenta críticas, com advogados argumentando que a legislação não prevê recuperação judicial para cooperativas agrícolas, mas sim liquidação extrajudicial. Goulart defende que a lei não é clara sobre o caso específico da Cotribá, que reúne produtores rurais.

A recuperação judicial pode oferecer ao devedor maior proteção, permitindo negociações coletivas entre credores.

O debate jurídico segue acirrado, com especialistas alertando que a insistência da Cotribá na recuperação judicial pode levar a complicações legais e insegurança no mercado. Depois de uma recente decisão desfavorável, Goulart está preparado para levar a questão às instâncias superiores, buscando um acordo sistemático com os credores.

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