Dívidas rurais ameaçam produtores; recuperação judicial aumenta
A demora em buscar ajuda diante de dívidas impacta o agronegócio

A lentidão em buscar conselhos sobre dívidas rurais tem elevado os riscos financeiros e de patrimônio de agricultores em várias partes do Brasil.
Leandro Amaral, advogado especialista em crédito rural e direito do agronegócio, alerta que a espera até momentos críticos prejudica as opções de negociação e defesa dos produtores.
✨ Muitos agricultores hesitam em agir logo no início da crise devido a sentimentos como vergonha e a esperança de que as condições melhorem.
Contudo, as próximas colheitas dependem de elementos que não podem ser controlados, como clima, variação de preços, taxa de câmbio, juros e condições de venda.
Enquanto isso, contratos firmados para ganhar tempo, como confissões de dívida e hipotecas, podem restringir as opções futuras dos produtores.
O contexto se agravou com o aumento de pedidos de recuperação judicial no setor agrícola, que somaram 1.990 em 2025, comparado a 1.272 em 2024 e 534 em 2023.
Goiás e Mato Grosso estão entre os estados com maior número de casos, com 296 e 332 registros, respectivamente. A combinação de altas taxas de juros e margens de lucro reduzidas também contribui para essa situação crítica.
A alienação fiduciária, frequentemente usada em operações de financiamento, muda o risco relacionado aos bens, como máquinas e terras, oferecidos como garantia.
Além disso, novas regras para provisões bancárias tornaram os bancos mais cautelosos na renegociação de dívidas e mais ágeis nos processos de execução.
"Procure quem entende do assunto. A vergonha de pedir ajuda pode parecer insignificante quando você considerar a pressão financeira que vem a seguir. É fundamental que quem produz para o país tenha acesso às ferramentas necessárias para proteger seu patrimônio.
A mensagem é clara: agir cedo é essencial, e a responsabilidade final pelas decisões cabe a cada produtor.
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