Raízen enfrenta impasse nas assembleias de CRAs com dívida de R$ 65 bilhões
Falta de quórum adia decisões sobre repactuação da dívida

Os investidores de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) da Raízen decidirão como proceder nas negociações sobre a repactuação da dívida da empresa apenas na próxima semana. A companhia, que está em recuperação extrajudicial, enfrenta uma dívida monumental de R$ 65 bilhões com credores externos.
A Raízen, sendo uma das principais distribuidoras de combustíveis do Brasil e líder na produção de açúcar e etanol, deve R$ 7,3 bilhões apenas em CRAs, com vencimentos antecipados em razão de seu pedido de recuperação. Este cenário afeta diretamente mais de 80 mil investidores pessoas físicas que detêm esses certificados.
Na quarta-feira, 6 de maio, ocorreram as primeiras assembleias para deliberar sobre os CRAs, mas nenhuma delas atingiu o quórum necessário. Essas assembleias incluíram as emissões de CRAs de 6ª, 10ª e 73ª emissões, cujo total representa cerca de R$ 4 bilhões a receber da Raízen.
Diante da falta de participantes, uma segunda convocação está agendada para o dia 14 de maio, quando novas tentativas de alcançar um quórum para as assembleias serão realizadas.
✨ Assembleias adicionais estão previstas para os CRAs de 38ª e 2ª emissões, somando R$ 3,3 bilhões em créditos da Raízen.
Essas assembleias são organizadas pela Opea, que assumiu a responsabilidade pelos CRAs ao adquirir a True Securitizadora. O escritório Felsberg Advogados e a Journey Capital foram contratados para fornecer suporte legal e financeiro às partes envolvidas.
A ausência de quórum prejudica o andamento das negociações entre credores e a Raízen, que precisa apresentar um plano de recuperação revisto até 9 de junho, com a adesão de 50% dos créditos envolvidos. Os bancos e os detentores de bonds ainda são os mais engajados nas discussões sobre propostas.
Recentemente, a Raízen propôs que 45% de sua dívida fosse convertida em ações e informou que tem potencial para levantar até R$ 5 bilhões em novos investimentos, além do suporte prometido pelos acionistas, que incluem aportes da Shell e de Rubens Ometto.
O BTG, maior acionista da Cosan, ainda não se comprometeu com nenhum investimento na Raízen até o momento.
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