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Grupo Agropecuário Schneider inicia recuperação judicial para reestruturar dívidas

Produtor rural luta para reestruturar R$ 248,3 milhões em débitos

Camila Souza Ramos17 de junho de 2026 às 18:40
Grupo Agropecuário Schneider inicia recuperação judicial para reestruturar dívidas

O Grupo Agropecuária Schneider, uma tradicional empresa rural de Marcelino Ramos (RS), está passando por um processo de recuperação judicial com o intuito de replanejar sua significativa dívida de R$ 248,3 milhões.

Recentemente, o grupo obteve uma vitória importante contra um credor fora do processo de recuperação, conseguindo, temporariamente, manter um imóvel que havia sido oferecido como garantia em um empréstimo de R$ 20,6 milhões com a Cooperativa de Crédito Livre Admissão de Associados do Alto Uruguai Catarinense (Sicoob Crediauc).

A decisão judicial suspendeu a consolidação de bens até análise da necessidade dos imóveis para a operação do grupo.

A dívida em questão era garantida por três imóveis localizados nos estados do Rio Grande do Sul e foi contestada pelo Sicoob Crediauc quando o pagamento não ocorreu no prazo estipulado. A instituição buscou a consolidação dos bens, processo onde, em caso de inadimplemento, o credor pode tomar a propriedade do imóvel.

Entenda a consolidação de bens

Na alienação fiduciária, enquanto o credor detém o direito de posse do imóvel, a propriedade não é transferida até que uma execução seja realizada. Através desse processo, o imóvel pode ser leiloado para saldar a dívida.

O escritório de advocacia Finocchio & Ustra, que representa o Grupo Agropecuária Schneider, solicitou ao juiz João Marcelo Barbiero de Vargas a suspensão dessa consolidação, argumentando que os imóveis são essenciais para as atividades da empresa e sua perda afetaria gravemente a operação.

O juiz acatou a solicitação e suspendeu a consolidação e expropriação dos imóveis até que se defina sua real importância para a sobrevivência do grupo. A decisão permitiu que o grupo continuasse a exercer o direito de posse, facilitando negociações durante o período de suspensão das execuções.

A recuperação judicial foi autorizada em 1º de junho, e o juiz estabeleceu um período de 180 dias para a suspensão de execuções de dívidas, nomeando a Medeiros & Medeiros como administradora do processo.

A Recuperação Judicial abrange a Agropecuária Schneider e é liderada pelos empresários Adilo, Aércio, Celso, Wilson e Tarlis Schneider, que cultivam grãos em aproximadamente 6 mil hectares.

Desde 2020, o grupo enfrenta dificuldades crescentes devido à inflação dos custos de produção, quedas significativas nos preços das commodities e impactos devastadores causados por desastres climáticos.

  • 1Custo fixo da produção de milho aumentou 58,22% entre 2020 e 2023.
  • 2Custo variável subiu 86,51% no mesmo período.
  • 3Preço da soja caiu 19,91% de 2022 a 2023.

Além disso, as enchentes em 2024 danificaram gerações de colheita no Rio Grande do Sul, enquanto no Tocantins, a severa seca impactou diretamente a produtividade, exacerbando a crise econômica enfrentada pelo grupo.

O Grupo Agropecuária Schneider foi fundado em 1987 por Amandio e Ercy Schneider, que passaram o comando para seus filhos após a morte trágica do casal. Inicialmente focado na pecuária, a empresa migrou para a agricultura nos anos 2000 e diversificou seu negócio ao longo das décadas até sua recente luta contra a inadimplência.

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