Perspectivas do setor são positivas, mas tensões geopolíticas preocupam

Roberto Perosa, líder da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), destacou nesta quarta-feira (20) que, apesar das tensões geopolíticas que impactam o setor, as perspectivas para 2026 são otimistas.
Ele enfatizou que o crescimento da demanda global por carne bovina é uma boa notícia para o Brasil, que se mantém como o maior produtor e exportador desse produto no mundo. Contudo, fatores como guerras, tarifas elevadas e cotas de importação complicam o comércio e geram incertezas.
✨ O Brasil deve atingir a cota anual de 1,1 milhão de toneladas até julho, mostrando um fluxo estável de vendas.
Atualmente, as vendas de carne estão sob a influência direta das limitações impostas por mercados como o da China, o principal cliente do Brasil, que ficou de fora por grande parte do segundo semestre. Mesmo assim, a expectativa é de que a estabilidade se mantenha, com pequenas variações dependendo da intensidade das tensões geopolíticas.
Perosa comentou que, embora o problema das tarifas esteja quase resolvido, restrições nas vendas para a União Europeia e a China ainda estão pendentes, o que pode afetar consideravelmente o volume das negociações.
A ausência das importações chinesas entre julho e outubro, devido a uma tarifa de 55% para produtos fora da cota, exige uma busca por novos mercados. A possibilidade de remoção da tarifa de 26,4% dos Estados Unidos é vista como uma oportunidade, embora Perosa reconheça que os EUA não cobrirão todo o volume que ficará indisponível devido à saída da China.
Outra possibilidade está em fortalecer o acesso ao Japão e à Coreia do Sul. A visita japonesa para uma auditoria está pendente, enquanto a Coreia do Sul cancelou a visita programada ao Brasil neste ano.
Além disso, abrir o mercado para miúdos bovinos pode apresentar novas oportunidades, com a África do Sul sendo um hub importante para esse tipo de venda.
A Abiec também deseja aumentar o número de plantas habilitadas para exportação ao Vietnã, que se tornou um mercado disponível em 2025. Assim, a estratégia é diversificar os destinos das vendas, evitando uma excessiva dependência da China.
No mercado interno, o cenário é otimista, embora as vendas poderiam ser melhores se não houvesse o alto nível de endividamento da população. Mesmo assim, o setor mostra sinais de aquecimento, indicando uma demanda robusta.
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