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Sebo bovino se destaca no mercado de cosméticos naturais

Produto antes relegado ganha nova vida com demanda crescente

Camila Souza Ramos19 de maio de 2026 às 08:40
Sebo bovino se destaca no mercado de cosméticos naturais

O sebo bovino, tradicionalmente utilizado em graxarias e na indústria química, está conquistando um novo espaço no mercado de cosméticos naturais. A mudança é impulsionada por consumidores que preferem alternativas livres de derivados de petróleo.

O mercado global de cosméticos naturais já movimenta cerca de US$ 390 bilhões anualmente.

José Carlos Carvalho, vice-presidente da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA), aponta que a demanda por esse ingrediente tem crescido à medida que marcas de sabão artesanal e outros produtos similares surgem no Brasil, refletindo uma tendência observada há mais tempo em países como EUA e Austrália.

No Brasil, as primeiras marcas que utilizam explicitamente o sebo bovino em seus produtos apareceram em 2023. Apesar de ser um fenômeno recente, o empresário acredita que o movimento já está se fortalecendo e se diversificando.

A empreendedora Renata Lott, psicóloga e fundadora da MuBalm, é um exemplo desse novo cenário. Após uma cirurgia estética, ela sentiu a necessidade de um hidratante que se encaixasse em sua dieta natural e decidiu criar seu próprio produto à base de sebo bovino, em um frasco de vidro.

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Muita gente dizia que éramos loucos, mas pouquíssimas pessoas notam o cheiro do sebo no nosso produto – Renata Lott.

O sebo utilizado por Lott se distingue do comum, pois as empresas optam por gordura visceral de bovinos criados a pasto, o que proporciona uma qualidade superior. Além disso, a inclusão de óleos essenciais na formulação contribui para um produto bem aceito pelo público.

Outra empreendedora, Simone Moreira Rodrigues, fundou a Pure Tallow em São Paulo e adicionou itens como desodorantes e pomadas labiais ao seu portfólio. Embora o mercado ainda seja nichado, ela, assim como Lott, observa um crescimento no interesse por cosméticos de origem animal.

Os produtos cosméticos à base de sebo bovino não são isentos de controvérsias. A dermatologista Alessandra Romiti ressalta que, embora sejam naturais, é essencial consultar um especialista antes da utilização, pois nem todos os tipos de pele se adaptam bem a esses produtos.

A valorização do sebo bovino na indústria cosmética é positiva para a reciclagem animal, pois oferece uma utilização mais nobre para um ingrediente que estava em desuso. Como destaca Carvalho, isso resulta em um produto de maior valor agregado e melhor aceitação no mercado.

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