Comportamento dos machos impacta diretamente na reprodução das fêmeas.

Quando se fala sobre a vida animal, muitas vezes nos deparamos com a cruel realidade da natureza, onde cada um por si parece ser a lei. Contudo, um dos comportamentos fascinantes e perturbadores que encontramos é o infanticídio praticado por ursos machos. Ao se depararem com uma fêmea que possui filhotes, esses machos não costumam hesitar em agir diretamente, afastando os filhotes de um modo letal.
O infanticídio entre os ursos não envolve apenas brigas ou intimidação. As pesquisas mostram que a principal motivação é forçar a fêmea a entrar novamente no cio. Este comportamento, definido como infanticídio sexualmente selecionado, visa garantir que os machos transmitam sua genética. Durante a lactação, as ursas não entram no cio; logo, a morte dos filhotes precipita o regresso da fêmea à fase reprodutiva, permitindo que o macho se acasale com ela.
✨ As ursas fêmeas se tornam mais vulneráveis durante a amamentação, o que é explorado pelos machos para maximizar suas chances de reprodução.
Três espécies de ursos demonstram esse comportamento de forma mais proeminente. O urso-pardo é o mais estudado nesse aspecto, com machos dominantes que, ao falecerem, provocam uma invasão de novos machos que atacam filhotes existentes. Já o urso-negro-americano também apresenta altas taxas de mortalidade de filhotes devido a infanticídio não raro. O urso-polar, por sua vez, parece estar motivado por necessidades nutricionais de canibalismo em tempos de escassez, como o derretimento do gelo ártico.
As ursas são conhecidas por serem altamente protetoras em relação a seus filhotes. Elas adotam estratégias físicas e territoriais, atacando machos intrusos e escolhendo habitats com menor probabilidade de encontros com eles. Quando ameaçadas, podem até instruir seus filhotes a subirem em árvores para evitar ataques.
✨ Uma tática adicional é que as fêmeas acasalam com múltiplos machos durante o mesmo cio, confundindo a paternidade e reduzindo a probabilidade de ataques.
Nem todos os ursos praticam infanticídio. No caso do panda gigante, o comportamento solitário e uma dieta composta quase que exclusivamente de bambu resultam em uma baixa libido e rara formação de disputas territoriais. Já o urso-de-óculos e o urso-beiçudo mostram preferências por ambientes isolados e pacíficos, minimizando situações de confronto. O urso-malaio se destaca por não ter um ciclo sazonal de acasalamento e, assim, não enfrenta a pressão típica de outros ursos.
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Jornalista especializado em Notícias

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