PT aciona TSE para investigar colaboração de perfis em campanhas de Bolsonaro.

A campanha do ex-presidente Lula (PT) fez uma reavaliação em sua abordagem nas redes sociais, intensificando esforços nas últimas semanas. O grupo tem adotado formatos semelhantes aos que circulam frequentemente no Instagram, TikTok e YouTube, além de criticar abertamente a estratégia digital de Flávio Bolsonaro (PL).
Em um movimento recente, no dia 20, a coligação de Lula apresentou uma ação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitando uma investigação sobre o uso de perfis na promoção de publicações conjuntas com a campanha de Flávio. Alega-se que 1.826 'collabs' foram identificadas, com a participação de 492 perfis, que estariam amplificando conteúdos eleitorais e, em alguns casos, direcionando usuários para produtos ligados à campanha.
✨ A ofensiva jurídica do PT ocorre enquanto as eleições se aproximam, com apenas 12 dias até o primeiro turno, buscando conquistar um espaço que historicamente favoreceu o bolsonarismo.
Para aumentar o engajamento, a campanha de Lula começou a utilizar vídeos de 'react' onde ele comenta conteúdos de redes sociais, além de incrementar transmissões ao vivo. Os primeiros resultados apontam uma mudança significativa, com o perfil de Lula no Instagram realizando 5,7 milhões de interações em uma semana, superando as 5 milhões de Flávio. Em particular, uma live de Lula teve um alcance maior do que uma transmissão anterior de seu adversário.
Dados da Ativaweb mostram um aumento de 38,24% no engajamento do perfil de Lula entre 7 e 14 de setembro, enquanto Flávio experimentou uma diminuição de 7,35% nesse mesmo período, embora seu engajamento continuasse maior que o de Lula.
A estratégia de comunicação do PT agora visa tornar Lula mais presente no ambiente digital, com um ajuste em sua participação nas redes. Apesar da resistência inicial a formatos como lives e vídeos gravados, Lula começou a se engajar mais em transmissões ao vivo e a produzir vídeos em formato vertical.
A campanha também se concentra em atingir eleitores mais jovens, um público que geralmente consome menos a propaganda eleitoral tradicional. Nesse contexto, Flávio se tornou o foco principal dos ataques comunicativos do PT, com comparações constantes sendo traçadas entre os dois candidatos.
O caso Daniel Vorcaro, em que o PT já explorou a comunicação do senador com um ex-banqueiro, é uma das ferramentas utilizadas para essa comparação. Entretanto, a campanha foi além de uma simples denúncia, combinando ataques políticos, comparações entre os governos de Lula e Bolsonaro e ações dentro da Justiça Eleitoral para melhorar o desempenho nas plataformas sociais.
O atual cenário político e as tensões no Supremo Tribunal Federal também fazem parte da estratégia do PT, que adaptou seu discurso e orientou candidatos aliados a intensificar as cobranças por investigações e a destacar o contraste com a campanha de Flávio. Nas redes sociais, perfis do partido relembraram episódios negativos da gestão Bolsonaro, como a pandemia e as queimadas.
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Jornalista especializado em Política

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