CNI indica oposição a tarifas dos EUA contra produtos brasileiros
Audiência pública revela posicionamento contrário à imposição de novas taxas.

Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que a maioria das manifestações registradas para a audiência pública sobre a investigação comercial dos Estados Unidos contra o Brasil será contrária à introdução de novas tarifas. De acordo com Constanza Negri, gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, espera-se que as tarifas sejam mantidas, com possíveis ajustes menores durante a conclusão do processo.
Dentre os 80 participantes que falarão na audiência do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), 66 se posicionarão contra a proposta de tarifas. Os remanescentes, que se representam interesses norte-americanos dos setores de etanol, siderurgia, pecuária e madeira, apoiam a aplicação das tarifas.
✨ Caso a proposta seja aprovada, 31,6% das exportações brasileiras para os EUA enfrentariam uma taxa de 37,5%, em comparação aos atuais 10%.
A audiência pública faz parte da investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, a qual permite que o governo dos Estados Unidos examine práticas comerciais consideradas prejudiciais. Recentemente, essa investigação resultou em uma conclusão que aponta práticas brasileiras como restritivas ao comércio com empresas dos EUA, levando o USTR a sugerir aumentos nas tarifas sobre alguns produtos brasileiros.
Constanza Negri ressalta que a análise da CNI acredita que qualquer ajuste nas tarifas será marginal e não reverterá a política comercial dos EUA. Ela reforça que a contínua identidade comercial entre Brasil e EUA beneficia ambos os lados e que é essencial demonstrar os efeitos prejudiciais que essas tarifas poderiam causar.
No Palácio do Planalto, assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acreditam que não há chances de uma reversão completa das tarifas, embora o governo busque apresentar dados que justifiquem a continuidade do diálogo. As autoridades responsáveis pela diplomacia brasileira afirmam que os argumentos técnicos feitos ao longo do último ano foram ignorados nas decisões do USTR.
A importância do diálogo é enfatizada, com reuniões programadas entre representantes dos dois países, mas a expectativa é de que o resultado final não traga alterações substanciais nas tarifas propostas.
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