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Empréstimo de R$ 6,6 bilhões é crucial para salvar BRB

Crise no Banco de Brasília leva governo do DF a buscar socorro financeiro

Gabriel Azevedo10 de junho de 2026 às 01:00
Empréstimo de R$ 6,6 bilhões é crucial para salvar BRB

O governo do Distrito Federal está prestes a solicitar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para fortalecer o Banco de Brasília (BRB), que enfrenta séria crise financeira devido a transações problemáticas com o Banco Master.

Como acionista majoritário do BRB, o governo local tem a responsabilidade de assegurar a solidez do banco, que é vital para a administração de mais de 30 programas sociais, crédito habitacional e folha de pagamento do setor público.

Mesmo com a aprovação da Câmara Legislativa para o pedido de empréstimo, deputados expressaram preocupações sobre a transparência da operação.

Na última terça-feira (9), a Câmara Legislativa autorizou a governadora Celina Leão (PP) a seguir adiante com o pedido. Contudo, a votação foi apertada, com 11 votos a favor e 9 contra, e muitos legisladores questionaram a falta de informações sobre como o empréstimo seria gerido.

Causas da Crise no BRB

A crise do BRB está ligada a transações de alto risco realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que levantaram alarmantes R$ 30 bilhões. O ponto de inflexão ocorreu em novembro de 2025, quando a Polícia Federal iniciou a Operação Compliance Zero, investigando um suposto esquema de fraudes financeiras.

Os problemas se agravaram com a prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, acusado de aprovar operações com a instituição sem a devida segurança financeira. Atualmente, o BRB acredita que cerca de R$ 8,8 bilhões de créditos obtidos do Master são irrecuperáveis ou fraudulentos.

Acordo entre o DF e a União

Um acordo firmado entre o Distrito Federal e a União em maio estabelece que o empréstimo será garantido sem o uso de recursos federais. A quantia será fornecida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que reúne a contribuição de grandes bancos para evitar crises financeiras.

O DF se compromete a garantir a quitação do empréstimo com repasses do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) caso não consiga cumprir com os pagamentos.

Este entendimento inclui restrições temporárias no orçamento do DF, como a proibição de aumentos salariais para servidores e criação de novos cargos durante a vigência do acordo até que a situação financeira se normalize.

Modelo Proposto para o Empréstimo

A proposta prevê um empréstimo de R$ 6,6 bilhões a ser pago em 180 parcelas mensais, com a primeira parcela programada para 2028, e juros baseados no IPCA mais 4,5% ao ano. O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, acredita que o banco apresentará lucros anuais de R$ 1 bilhão ao voltar à normalidade.

Contudo, as condições finais do empréstimo ainda estão indefinidas e podem ser alteradas conforme as negociações avançam no mercado.

A falta de clareza sobre as despesas mensais esperadas e a capacidade do DF de cumprir suas obrigações financeiras gera apreensão entre os deputados da oposição, que prevêem custos anuais superiores a R$ 1 bilhão para o governo local apenas em juros.

Com isso, os cidadãos permanecem em expectativa sobre como o governo do DF planeja gerenciar suas finanças e recuperar a saúde financeira do BRB.

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