Erika Hilton e PSOL enfrentam disputa sobre recursos eleitorais
Conflito interno revela divergências sobre prioridades de candidatura para 2026

Recentemente, o PSOL se viu no centro de uma intensa disputa interna sobre a alocação de recursos do fundo eleitoral, com a deputada federal Erika Hilton criticando a liderança da legenda por priorizar certas candidaturas em detrimento de outras, levantando questões cruciais para o futuro do partido na eleição de 2026.
O conflito foi provocado quando Hilton denunciou a direção nacional do partido de desrespeitar acordos previamente estabelecidos, afirmando que as decisões atuais não favorecem candidaturas de mulheres, negros e lideranças com histórico de mobilização eleitoral. O embate surge em um momento crítico, a apenas três semanas da reunião da Executiva Nacional, marcada para o dia 18 de julho, onde deverão ser definidos os repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).
✨ O PSOL planeja destinar R$ 2,3 milhões à campanha de Erika Hilton, o que representa um aumento de 61,5% em relação a 2022.
Apesar do aumento, Hilton considera o valor insuficiente para sua reeleição como deputada em São Paulo, especialmente em comparação a outras candidaturas. Ela destacou que tanto o atual presidente da Federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros, quanto Manuela D’Ávila, que concorre ao Senado, devem receber valores significativamente maiores.
"‘Sou uma deputada negra e travesti. Para viajar o maior estado do País puxando votos, preciso de uma logística imensa e de um esquema de segurança fortíssimo’
Hilton recebeu apoio de outros membros do partido. A deputada estadual Renata Souza afirmou que a falta de priorização por gênero e raça na distribuição dos recursos é uma violação clara da legislação e se aproxima da realidade de partidos que favorecem candidatos brancos em detrimento da diversidade.
Contexto histórico
Desde agosto de 2022, o PSOL implementa critérios de distribuição de recursos que incentivam a representação de grupos sub-representados, como mulheres e pessoas negras, em um esforço para corrigir desigualdades históricas na política.
Na resposta à situação, Juliano Medeiros defendeu que a alocação de recursos sempre seguiu a lógica de apoio a candidatos que têm suporte de parlamentares que não estarão na disputa, justificando assim a distribuição anunciada. Afirmou também que Hilton é uma peça fundamental para a disputa do partido nas próximas eleições.
A situação atual não é nova no PSOL, que já viveu tensões semelhantes. Desde a recusa em formar uma federação com o PT, a ala Revolução Solidária, que Hilton integra, tem se sentido marginalizada. Embora a possibilidade de um racha ainda não seja certa, a insatisfação com a direção do partido está cada vez mais evidente.
As fontes dentro do PSOL interpretam a postura de Hilton como uma forma de pressionar por mais recursos, além de manter viva a discussão sobre o alinhamento do partido com o governo. Isso inclui a resistência em investir em candidaturas que possam se distanciar do partido após as eleições de outubro, o que também pode impactar na superação da cláusula de barreira em 2026.
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