EUA ignoram argumentos do Brasil e recomendam novas tarifas comerciais
Ministro Mauro Vieira discute questões comerciais em Paris.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou em Paris que os Estados Unidos desconsideraram as justificativas apresentadas pelo Brasil em investigações que culminaram na imposição de novas tarifas comerciais.
Vieira ressaltou que esta decisão ocorreu antes do término do período de negociação de 30 dias estabelecido por Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. As investigações em questão envolvem temas que afetam diretamente a agroindústria brasileira, abordando aspectos como etanol, açúcar, desmatamento e carne bovina.
Interação com autoridades norte-americanas
Em encontro recente com o embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, Vieira reitera que a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) aconteceu durante o prazo que os líderes haviam acordado.
✨ O USTR sugeriu tarifas de 25% por alegações de práticas desleais e 12,5% por supostas falhas na legislação sobre trabalho forçado.
As investigações se basearam na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974. Entre as questões levantadas pelos norte-americanos estão as tarifas do etanol, a ocorrência de desmatamento ilegal e casos de trabalho análogo à escravidão na pecuária brasileira.
Os EUA criticam a tarifa brasileira de 18% sobre o etanol, considerando-a excessiva em comparação à sua própria taxa de 2,5% sobre o etanol importado do Brasil. Além disso, Vieira argumenta que os Estados Unidos impõem uma tarifa significativamente maior sobre o açúcar brasileiro, quatro vezes maior do que a que o Brasil aplica ao açúcar americano.
Na questão ambiental, o ministro destacou que os dados sobre desmatamento utilizados pelos EUA são desatualizados. Ele confirmou que, em 2025, a área desmatada na Amazônia Legal foi reduzida pela metade em relação a 2022, citando também dados do MapBiomas que mostram uma diminuição do desmatamento nos seis biomas do país no ano anterior.
Essa disputa comercial traz à tona preocupações sobre a competitividade das exportações brasileiras e o acesso ao mercado. Até o momento, não foram especificados os produtos que serão afetados, nem os prazos de implementação das novas tarifas. Vieira, no entanto, afirmou que há espaço para diálogo, segundo Greer.
Cenário Atual
A formalização das novas tarifas e o efeito prático delas para os exportadores brasileiros dependem das negociações futuras entre Brasil e Estados Unidos.
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