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política
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Governo brasileiro critica EUA por classificar facções como terroristas

Decisão dos Estados Unidos gera debate sobre segurança e cooperação internacional

Acro Rodrigues05 de junho de 2026 às 14:25
Governo brasileiro critica EUA por classificar facções como terroristas

O governo brasileiro expressa preocupação com a recente decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Essa nova categorização começou a valer na última sexta-feira (5), após o anúncio feito pela Secretaria de Estado dos EUA em 28 de maio.

Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, considera essa definição um "equívoco", argumentando que as motivações e objetivos do crime organizado são distintos dos grupos terroristas.

Para a PF, a definição de terrorismo não deve se aplicar ao crime organizado, que busca lucro e não possui ideais políticos ou religiosos.

Rodrigues enfatizou que essa categorização não influenciará a estratégia de combate ao crime no Brasil e que é essencial entender as diferenças entre narcotráfico e terrorismo. Segundo ele, o Brasil continuará a operar com firmeza e eficácia contra o crime organizado, independentemente da definição adotada por outro país.

Embora tenha sido informado da decisão apenas pela mídia, Rodrigues afirmou que ainda é prematuro determinar o impacto dessa classificação nas relações de cooperação entre o Brasil e os Estados Unidos. "Não recebemos nenhuma notificação oficial sobre essa mudança, mas continuaremos a monitorar a situação", disse.

Apesar das críticas, Rodrigues vê a nova classificação como uma chance de reforçar a colaboração internacional no combate ao crime, destacando a importância de trocas de informações e ações conjuntas, como bloqueios de armamentos e captura de fugitivos.

No entanto, essa medida também pode gerar repercussões econômicas, de acordo com especialistas. Eduardo Mello, professor da FGV, alerta que empresas que têm relações comerciais com os EUA poderão enfrentar desafios adicionais de compliance, o que pode desestimular investimentos no Brasil.

O governo brasileiro declarou que a luta contra o crime organizado é uma prioridade, lembrando que a cooperação internacional deverá sempre honrar a soberania do país. O Ministério da Justiça ressaltou que acordos de cooperação legal são cruciais na repressão efetiva do crime organizado.

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