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política
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Gustavo Petro se despede com eleições decisivas na Colômbia

O presidente colombiano enfrenta desafios eleitorais com candidato em alta.

Acro Rodrigues30 de abril de 2026 às 16:35
Gustavo Petro se despede com eleições decisivas na Colômbia

O presidente colombiano Gustavo Petro, o primeiro de esquerda na história do país, está prestes a enfrentar um momento crítico ao se preparar para a escolha de seu sucessor nas eleições presidenciais marcadas para 31 de maio, com um possível segundo turno em 21 de junho.

De acordo com a última pesquisa do instituto Invamer, divulgada no dia 26, Iván Cepeda, candidato do Pacto Histórico, lidera as intenções de voto com 44,3%, um aumento de 7 pontos em comparação ao mês anterior. Em sequência, os candidatos da direita, Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia, disputam o segundo lugar com 21,5% e 19,8%, respectivamente.

Cepeda é considerado o favorito para vencer, conforme apontam diferentes pesquisas, incluindo a do Celag Data, que dá a ele 41,6% das intenções de voto.

Em um hipotético segundo turno, Cepeda lideraria contra Valencia com 48,3% a 38,6%, e também superaria Espriella com 49% a 36,1%. Contudo, a pesquisa do instituto AtlasIntel sugere um cenário diferente, prevendo uma derrota de Cepeda para ambos os candidatos de direita.

Petro, impossibilitado de concorrer à reeleição devido a restrições constitucionais, encerrará seu mandato de quatro anos, durante o qual enfrentou grandes desafios com uma postura combativa, ao contrário da abordagem conciliadora de seu homólogo brasileiro, Lula.

O presidente colombiano buscou implementar reformas sociais significativas, como uma nova legislação trabalhista, apesar de enfrentar resistência do Congresso e setores empresariais. Para contornar essa oposição, Petro se aliou a sindicatos e movimentos sociais, considerando até convocar uma greve nacional em momentos de impasse.

"

Se tivermos que fazer uma greve por tempo indeterminado, o presidente estará ao lado do povo. Se eles me expulsarem, uma revolução explodirá na Colômbia

Gustavo Petro.

A proposta de um sistema de saúde pública inspirado no SUS brasileiro e a reforma tributária voltada para os mais ricos não tiveram sucesso devido a bloqueios judiciais. Em termos econômicos, o PIB cresceu 2,6% em 2025, superando as expectativas de analistas e com a inflação moderada a 5%.

Contexto

As pesquisas recentes revelam uma opinião pública dividida, com dados contraditórios sobre a popularidade de Petro. Enquanto a Invamer registra 49,1% de aprovação, outra pesquisa mostra que a rejeição supera os 57%.

Um dos principais fatores que influenciam a percepção popular é a questão da segurança. De acordo com a pesquisa do Invamer, 30,9% dos colombianos consideram a segurança pública como o principal problema do país, o que se relaciona ao aumento da criminalidade e às exportações recordes de cocaína.

A disputa pela liderança das eleições é acentuada pela presença de candidatos como Iván Cepeda, que prioriza a inclusão de setores sociais varridos pela polarização política, e os fortes concorrentes da direita, que prometem restaurar a ordem.

Cepeda, que perdeu seu pai assassinado por motivos políticos, busca mobilizar votantes indígenas e de comunidades marginalizadas, enquanto seus adversários representam visões opostas da política.

Com 63 anos, Cepeda é um defensor dos direitos humanos e encara grandes desafios, especialmente com adversários como Valencia, um produto do uribismo e Espriella, um outsider com um discurso populista e soluções propostas radicais.

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