Novo projeto gera preocupações sobre impacto nas denúncias na Argentina

O governo argentino, sob a liderança de Javier Milei, está enfrentando controvérsias após apresentar um projeto de lei que pretende punir com rigor as vítimas que possam fazer denúncias falsas de violência de gênero. Essa proposta, em fase de tramitação no Congresso, suscitou forte preocupação entre especialistas e organismos internacionais, que alertam para os riscos de um clima ainda mais hostil às denúncias de violência.
Um documento da Organização das Nações Unidas enviado ao governo argentino destaca que, se aprovada, a nova legislação poderia criar barreiras adicionais para que as mulheres denunciem delitos relacionados à violência de gênero, contribuindo para um ambiente de medo e silêncio. A ONU critica não apenas essa medida, mas uma série de ações do governo Milei que têm diminuído a capacidade do Estado de lidar efetivamente com essa problemática.
✨ A proposta de Milei busca punir de 3 a 6 anos de prisão quem for acusado de falso testemunho em crimes de violência de gênero.
Desde sua posse, Milei eliminou o Ministério da Mulher e cortou recursos para assistência a vítimas, o que assinala uma mudança significativa na política pública sobre a questão. De acordo com os dados disponíveis, quase metade das mulheres no país já enfrentou algum tipo de violência, mas um número alarmante não registra queixas devido à falta de confiança nas instituições.
Em 2024, 247 mulheres perderam a vida em feminicídios, o que equivale a um assassinato a cada 36 horas. Menos de 5% das vítimas possuíam medidas protetivas vigentes contra seus agressores.
A nova proposta legislativa gera preocupações adicionais, pois pode ampliar a subnotificação dos casos devido ao temor de repercussões legais. Especialistas afirmam que não há uma base sólida para justificar a elevação das penas, uma vez que os casos de falsas denúncias representam apenas uma fração mínima dos relatos de violência de gênero.
"Essa lei pode legitimar a ideia de que as mulheres mentem, o que certamente desestimulará as denúncias e poderá criar um clima de impunidade entre agressores
Os efeitos da nova legislação não se restringem somente à violência de gênero, mas também podem impactar negativamente a forma como os abusos contra crianças e adolescentes são denunciados. Esse quadro serve como um aviso sobre os perigos que a nova lei pode trazer ao ambiente jurídico e social da Argentina.
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