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PT pode retomar campanha contra Alcolumbre se PEC for bloqueada

Partido avalia estratégias após bloqueios do presidente do Senado

Mariana Souza12 de junho de 2026 às 19:05
PT pode retomar campanha contra Alcolumbre se PEC for bloqueada

Os membros do Partido dos Trabalhadores (PT) estão considerando reiniciar a campanha "Congresso inimigo do povo" se o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), continuar a obstruir a tramitação da PEC que pretende eliminar a jornada de trabalho 6×1. A discussão sobre essa abordagem está em seus estágios iniciais, mas ganhou força com as recentes ações de Alcolumbre, que indicam uma resistência ao avanço do projeto.

O clima dentro do PT se deteriorou após o Senado aprovar, apesar da oposição do Palácio do Planalto, um conjunto de medidas que podem comprometer as finanças da União. Internamente, dirigentes do partido admitem que reduziram as publicações ligando Alcolumbre e outros parlamentares ao Caso Master, enquanto tentam promover um diálogo com o senador.

A aprovação das chamadas 'pautas-bomba' é vista pelo PT como um indicativo da falta de diálogo de Alcolumbre.

No dia da votação, o Senado aprovou um projeto destinado a criar uma linha de crédito rural especial, que permitirá a renegociação de dívidas de agricultores, com um custo total estimado em 140 bilhões de reais ao longo de 13 anos. Além disso, os senadores discutiram uma PEC que oferece aposentadoria especial para profissionais da saúde e um projeto que aumentou o salário mínimo para médicos e dentistas.

A proposta para acabar com a escala de trabalho 6×1 é considerada uma prioridade para o presidente Lula, que busca sua aprovação antes das eleições. Embora a medida já tenha conseguido passar pela Câmara, Alcolumbre tem hesitado em levar o texto ao plenário, aguardando a reunião de líderes para discutir um cronograma de tramitação.

As tensões entre Lula e Alcolumbre também estão em alta, uma vez que ambos têm se comunicado apenas através de intermediários desde a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF. Os líderes do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, estão entre aqueles que tentam restabelecer o diálogo entre o Senado e o Palácio do Planalto.

Assessores do presidente acreditam que Alcolumbre só aceitaria uma reunião com Lula se houvesse garantias de que a Polícia Federal não investigaria suas ligações com Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Master. Por outro lado, Lula tem mostrado relutância em se encontrar com o senador, expressando descontentamento pela situação do advogado-geral da União e insistindo que não desistirá de nomear Messias para a Suprema Corte.

Ante a possibilidade de que a proposta sobre a jornada de trabalho fique paralisada, Lula está sendo aconselhado a demonstrar flexibilidade. Essa estratégia não se limita à reforma da jornada, mas também busca assegurar que Alcolumbre não aprovará outras medidas fiscais complicadas nas proximidades das eleições.

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