Diplomata analisa a ausência de encontro entre os líderes e a interferência dos EUA nas eleições brasileiras.

A Assembleia-Geral da ONU em 2026 contrastou com a do ano anterior em relação ao clima entre o presidente brasileiro Lula e o ex-presidente dos EUA, Donald Trump. Enquanto no encontro do ano passado houve uma “excelente química”, desta vez não ocorreu nem mesmo um encontro informal.
O diplomata Roberto Abdenur, embaixador do Brasil nos EUA entre 2004 e 2006, avalia que a situação é mais grave, dado o contexto de interferência ativa dos Estados Unidos nas eleições brasileiras, destacando o papel do secretário de Estado, Marco Rubio. Segundo ele, Lula ignorou Rubio na ONU, simbolizando a crescente frustração do Brasil com a política externa americana.
✨ “Nosso ‘inimigo’ nos EUA não é propriamente Trump, é mais Rubio, que degenerou uma postura política moderada e em favor da democracia para uma paranoia de extrema-direita”, afirmou Abdenur.
O ex-embaixador comenta que Lula fez um discurso equilibrado e claro, defendendo o multilateralismo e a soberania, enquanto Trump, em sua fala, fez ameaças à América Latina, reiterando uma visão imperialista dos EUA.
Abdenur critica a chamada ‘Doutrina Donroe’ de Trump, que atualiza uma posição histórica da política americana. Ele observa que a postura do governo americano atual deteriorou a ordem política estabelecida por décadas, criando um cenário de caos.
Sobre a possibilidade de intervenção militar no Brasil na luta contra o narcotráfico, Abdenur acredita que isso é pouco provável, embora se possa considerar em países menores da América Central. Ele conclui refletindo sobre a sua extensa carreira no Itamaraty e os desafios que surgiram sob a administração atual nos EUA.
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