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Saúde
3 min de leitura

A Epidemia de Obesidade Infantil no Brasil: Desafios e Contribuições da Indústria Alimentícia

Mudanças nos hábitos alimentares trazem preocupações sobre a saúde das novas gerações.

Ricardo Alves02 de abril de 2026 às 10:45
A Epidemia de Obesidade Infantil no Brasil: Desafios e Contribuições da Indústria Alimentícia

Recentemente, o Unicef divulgou que a obesidade agora é a forma de má nutrição mais comum entre crianças e adolescentes, superando a desnutrição em todo o mundo. Essa mudança, que no Brasil aconteceu há mais de 25 anos, reflete a eficácia de políticas sociais como o Bolsa Família que erradicaram a fome no País. No entanto, a melhoria no acesso a alimentos não se traduziu necessariamente em uma alimentação mais saudável.

Um Cenário Preocupante

Os dados alarmantes mostram que o número de jovens entre 10 e 19 anos com excesso de peso aumentou de 18,27% em 2010 para 33,52% em 2025, conforme o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) do Ministério da Saúde. Um estudo do Unicef, publicado recentemente, relaciona essa tendência ao aumento do consumo de alimentos ultraprocessados.

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A introdução de junk food nas refeições rápidas das crianças resulta em uma dieta desequilibrada

Stephanie Amaral, nutricionista do Unicef.

A pesquisa revelou que 49% dos pais consideram nuggets preparados na air fryer como uma opção saudável.

Causas do Aumento da Obesidade

Aumento no consumo de ultraprocessados, que compõem 62% dos novos alimentos lançados no mercado brasileiro entre 2020 e 2024.

O estudo também indicou que dois terços dos entrevistados não percebem os alertas presentes nas embalagens que destacam altos índices de açúcar, gordura e calorias. Especialistas assim como a médica Fabíola Suano alertam que a ação publicitária das indústrias alimentícias impulsiona essa problematização.

  • 1Baixa ingestão de alimentos in natura, reduzida de 53,3% para 49,5% entre 2003 e 2018.
  • 2Venda crescente de junk food em locais diversos, com apelo publicitário persuasivo.
  • 3Maior consumo entre classes sociais variadas devido à acessibilidade.

As consequências vão além da obesidade, com o surgimento de doenças que antes eram consideradas típicas de adultos, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. A nutricionista Patrícia Jaime destaca a necessidade urgente de abordar o impacto das escolhas alimentares na infância.

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O consumo acentuado de ultraprocessados está ligado a alterações na microbiota intestinal, prejudicando a saúde da criança

Patrícia Jaime.

Mudanças na microbiota estão associadas a problemas hormonais e comportamentais, como ansiedade e depressão.

Apesar dos desafios, a médica Fabíola Suano acredita que o Brasil ainda vê uma chance de reverter essa tendência de consumo elevado de alimentos ultraprocessados, uma vez que a cultura alimentar tradicional ainda possui forte resistência.

Caminhos para a Mudança

O Programa Nacional de Alimentação Escolar oferece opções in natura nas escolas, contribuindo para uma dieta mais saudável entre os alunos.

As consequências dessa mudança alimentar devem ser vistas não apenas em nível individual, mas como um problema social significativo, com a obesidade sendo uma preocupação coletiva no Brasil.

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