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Saúde
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Desigualdade no diagnóstico do autismo entre mulheres e homens no Brasil

Atraso no reconhecimento do TEA afeta a saúde mental de muitas mulheres.

Mariana Souza14 de abril de 2026 às 13:05
Desigualdade no diagnóstico do autismo entre mulheres e homens no Brasil

No Brasil, o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) revela disparidades significativas entre sexos. Estudo do Mapa Autismo Brasil destaca que 33% das mulheres são diagnosticadas apenas após os 20 anos, enquanto entre homens, esse número é de apenas 9%.

Na infância, 61,6% dos meninos são diagnosticados entre 0 e 4 anos, em contraste com apenas 37,2% das meninas.

Essas discrepâncias não estão ligadas somente a fatores biológicos, mas também a práticas diagnósticas históricas, que se baseiam em comportamentos predominantes nos homens. Isso limita a identificação de autismo em mulheres, que costumam manifestar sinais menos visíveis e mais adaptáveis às normas sociais.

Muitas mulheres chegam à vida adulta sem um diagnóstico claro, muitas vezes lidando com problemas como ansiedade e depressão sem compreender que a raiz pode ser o autismo.

Efeitos da camuflagem social

De acordo com o Dr. Rafael Matias, psiquiatra e professor na Afya Unigranrio Barra, a camuflagem social, ou 'masking', é um fator crítico que impede o diagnóstico precoce. Mulheres com TEA frequentemente desenvolvem técnicas para se adaptar socialmente, como imitar interações e controlar comportamentos espontâneos, dificultando a identificação do transtorno.

Isso demanda um esforço constante que pode resultar em exaustão emocional. "Essas estratégias não eliminam as dificuldades, mas funcionam como compensações, potencializando quadros de ansiedade e exaustão ao longo do tempo", explica o especialista.

O fenótipo feminino do autismo

A literatura aponta um 'fenótipo feminino' do autismo com características menos perceptíveis que enganam as avaliações convencionais. Aspectos como interesses intensos, mas socialmente aceitos, e formas de comunicação baseadas na imitação podem fazer com que mulheres sejam vistas como tímidas ou ansiosas.

Isso leva a diagnósticos incorretos, com transtornos como a ansiedade generalizada sendo frequentemente confundidos com TEA, impactando negativamente o tratamento adequado.

Consequências do diagnóstico tardio

O atraso no reconhecimento do autismo gera consequências nas esferas social e profissional, afetando relacionamentos e autoestima. A análise do Mapa Autismo Brasil indica que isso pode comprometer oportunidades de desenvolvimento pessoal e social.

No entanto, receber o diagnóstico na vida adulta pode oferecer uma nova perspectiva, permitindo a reorganização de estratégias de cuidado e a abordagem de habilidades sociais de maneira mais funcional.

Reinventando histórias após o diagnóstico

O diagnóstico tardio não serve apenas como uma etiqueta, mas funciona como um momento crucial para reorientar a história pessoal das mulheres afetadas, permitindo a aplicação de intervenções mais adequadas às suas necessidades.

A demanda por avaliações precisas em adultos cresce, e a revisão das práticas clínicas se torna essencial para melhorar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento adequado.

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