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Saúde
3 min de leitura

Hepatite afeta milhões e exige diagnóstico precoce para evitar mortes

OMS alerta para a gravidade das hepatites virais, que podem ser silenciosas

Giovani Ferreira19 de maio de 2026 às 16:35
Hepatite afeta milhões e exige diagnóstico precoce para evitar mortes

A hepatite, uma doença que compromete o fígado, possui um alto índice de prevalência global e frequentemente se desenvolve de forma assintomática, o que pode resultar em diagnósticos tardios e complicações severas.

Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 1,3 milhão de mortes anuais são causadas por hepatite viral, que continua sendo uma das principais causas de falecer por doenças infecciosas no mundo.

Cerca de 304 milhões de pessoas vivem com hepatite B ou C, muitas sem saber.

A OMS alerta que a falta de acesso a testes e tratamentos eficazes é um dos principais desafios no combate à doença. Com um objetivo ambicioso, a instituição busca eliminar significativamente as hepatites virais como uma ameaça à saúde até 2030, visando uma redução de 90% nas novas infecções e 65% nas mortes relacionadas.

Principais Tipos de Hepatite no Brasil

De acordo com a Dra. Janaína Teixeira, infectologista e professora da Afya, existem cinco tipos de hepatites virais: A, B, C, D e E. As hepatites A, B e C são as mais prevalentes no Brasil, sendo que a A não se torna crônica, enquanto as B e C podem permanecer no organismo por longos períodos.

Embora frequentemente assintomáticas nos estágios iniciais, as hepatites B e C podem causar inflamação no fígado e levar a condições graves como fibrose, cirrose e hepatocarcinoma.

Dados Alarmantes e Formas de Transmissão

A OMS prevê que, sem intervenções eficazes, o mundo poderá registrar próximos a 9,5 milhões de novas infecções. Dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025 do Ministério da Saúde indicam que quase 50 mil mortes ocorreram entre 2000 e 2024, com a hepatite C sendo a mais mortal.

A hepatite C é responsável por 75,3% das mortes relacionadas às hepatites no Brasil.

Em relação à transmissão, a hepatite A se dá pela ingestão de água ou alimentos contaminados, enquanto a hepatite B é transmitida principalmente por contato sexual desprotegido, sangue contaminado ou da mãe para o filho. Já a hepatite C tem como forma principal de transmissão o contato com sangue infectado, especialmente pelo compartilhamento de objetos cortantes.

Maior Incidência entre Homens

O Brasil apresenta uma disparidade significativa na incidência de hepatites virais, com uma maior quantidade de casos e mortes ocorrendo entre homens. Entre 2000 e 2024, 55% dos casos de hepatite B foram em homens, e essa tendência se repete na hepatite C.

Os dados mostram que em 2024, havia uma proporção alarmante de 14 homens para cada 10 mulheres diagnosticados com hepatite B e 57% dos diagnósticos de hepatite C nos últimos 20 anos eram de homens.

Desafio do Diagnóstico Precoce

Um dos maiores desafios no controle da hepatite viral é a falta de diagnóstico. Apesar de existirem tratamentos acessíveis pelo SUS para as hepatites B e C, muitas pessoas não buscam ajuda médica, pois a doença costuma ser silenciosa.

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O diagnóstico precoce é crucial, pois muitas pessoas vivem anos sem saber que estão infectadas, o que pode resultar em complicações severas quando não tratadas a tempo.

Dra. Janaína Teixeira

Sem detecção precoce, a hepatite pode evoluir para estágios avançados, resultando em cirrose ou câncer hepático, aumentando assim a mortalidade associada à doença.

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