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Saúde
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Violência silenciosa contra idosos cresce com descaso familiar

Exploração financeira e manipulações jurídicas são formas discretas de abuso

Carlos Silva30 de junho de 2026 às 11:50
Violência silenciosa contra idosos cresce com descaso familiar

Quando se menciona violência contra pessoas idosas, geralmente se pensa em agressões físicas ou abandono. Contudo, especialistas ressaltam que formas mais sutis de violência, praticadas por aqueles que deveriam proteger, são muito mais frequentes e insidiosas.

Essas situações podem incluir o controle financeiro dos idosos por filhos, a pressão para assinar documentos, decisões sobre tratamentos médicos sem o seu consentimento, e o cerceamento do contato social, eliminando a consideração pela opinião do idoso nas decisões que afetam sua vida.

Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos revelam que, nos primeiros meses de 2025, mais de 65 mil denúncias de violência contra idosos foram registradas no Brasil, refletindo um aumento de 38% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Para Bárbara Perpétuo, vice-presidente da empresa Supera, a cultura social frequentemente associa envelhecimento à perda de capacidades. "Precisamos entender a violência contra a pessoa idosa como algo que vai além do físico, incluindo agressões patrimoniais e jurídicas", alerta.

A advogada Alexsandra Manoel Garcia conta que muitos têm a falsa percepção de que atingir certa idade implica em incapacidade de gerenciar a vida e bens. A legislação brasileira não estabelece uma idade específica que confere incapacidade a alguém no gerenciamento de suas propriedades.

Os abusos financeiros, como a utilização do dinheiro da aposentadoria sem consentimento, e a manipulação nas relações familiares são comuns. Muitas vezes, filhos ocupam os lares paternos com o pretexto de cuidar, mas acabam controlando a residência e limitando o espaço e voz do idoso.

Asgressões emocionais também se destacam, manifestando-se através de constantes desqualificações e privação do convívio social, levando a consequências sérias como decline cognitivo e queda na autoestima. Estimulá-las a continuar atuando nas suas decisões é essencial para um envelhecimento saudável.

A conscientização sobre os direitos dos idosos, além da atenção às mudanças de comportamento, é crucial para detectar e prevenir a violência invisível. Sinais de alerta incluem dificuldades de entendimento sobre documentos, decisões unilaterais e isolamento social.

Alexsandra reforça a importância de permitir que os idosos exerçam suas escolhas. "A proteção não significa substituir a vontade, mas criar condições para que continuem a decidir com informação e respeito. A curatela deve ser aplicada somente após verificação da real capacidade do indivíduo", explica.

Os impactos da desinformação e do controle familiar são profundos, e a luta contra a violência ao idoso envolve um panorama mais amplo, que inclui saúde, educação e o reconhecimento de seus direitos. Para Bárbara, o foco deve ser não só na expectativa de vida, mas na qualidade e autonomia durante a velhice.

Por fim, é fundamental que familiares, vizinhos e profissionais da saúde estejam atentos e relatem situações suspeitas através de canais adequados, promovendo uma mudança cultural que veja o idoso como protagonista de sua própria vida.

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