Atlas revela aumento de homicídios ocultos no Brasil em 2024
Estimativa aponta 7.083 mortes violentas a mais que o registrado

De acordo com o Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Brasil pode ter registrado 7.083 homicídios a mais em 2024 do que os números oficiais indicam.
✨ A estimativa sugere que o total de homicídios no Brasil suba de 42.590 para 49.673 em 2024.
Os homicídios ocultos referem-se a mortes violentas cujas causas não podem ser determinadas, ficando classificadas como Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI). Essa categoria é fundamental para entender o retrato das mortes no país, pois envolve casos em que a classificação como homicídio não é clara devido à falta de informações adequadas.
O Ipea utiliza uma metodologia probabilística para calcular esses homicídios ocultos, levando em conta a falta de integração entre os dados médicos e policiais. Essa ausência de informação muitas vezes resulta em registros de morte indeterminada.
Impacto nas Estatísticas de Homicídios
Com a inclusão dos homicídios ocultos, a taxa nacional de homicídios pula de 20,1 para 23,4 por 100 mil habitantes, alterando a classificação dos estados mais e menos violentos do país.
Em 2024, São Paulo, que atualmente lidera como o estado com a menor taxa de homicídios (6,6 por 100 mil habitantes), cai para a terceira posição ao considerar os homicídios ocultos, com uma taxa estimada de 12,8.
✨ Santa Catarina passa a ser o estado menos violento com uma taxa de 8,8 homicídios por 100 mil habitantes.
Mudanças nas Taxas de Homicídio
Por outro lado, entre os estados mais violentos, Amapá permanece na liderança, com uma taxa oficial de 45,7 que sobe para 47,1 com os dados ocultos considerados. Ceará, que apresenta uma taxa oficial de 34,3, é elevado para 43,7 com a nova estimativa, tornando-se o segundo estado mais violento do país.
- 1Ranking oficial das maiores taxas de homicídio: Amapá: 45,7; Bahia: 40,9; Pernambuco: 37,3; Alagoas: 35,9; Ceará: 34,3.
- 2Ranking com homicídios ocultos: Amapá: 47,1; Ceará: 43,7; Bahia: 42,6; Alagoas: 39,8; Pernambuco: 38,6.
Crescimento dos Homicídios Ocultos
Os homicídios ocultos mostraram um aumento significativo de 88,6% em 2024, passando de 3.755 para 7.083, e agora representam 14,3% dos homicídios estimados. Em contrapartida, a taxa de homicídios ocultos também cresceu de 1,8 para 3,3 por 100 mil habitantes.
Entre 2014 e 2024, o Brasil acumulou cerca de 55,2 mil homicídios ocultos, enquanto os homicídios estimados totalizaram aproximadamente 638,8 mil.
Regiões com as Maiores Alterações
Minas Gerais, Ceará e São Paulo registraram os maiores aumentos na taxa estimada de homicídios entre 2023 e 2024, com incrementos de 25%, 23,8% e 10,3%, respectivamente. Por outro lado, estados como Amapá e Tocantins apresentaram quedas significativas em suas taxas.
Metodologia do Atlas
O Atlas utiliza dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde e algoritmos de aprendizado de máquina para mensurar as ocorrências de homicídios com base em características sociais e históricas das vítimas.
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