HRW critica falta de medidas adequadas após a operação que deixou 122 mortos em um ano.

Um relatório divulgado nesta quarta-feira, 28, pela Human Rights Watch (HRW) aponta falhas significativas na investigação das mortes ocorridas durante a Operação Contenção, realizada há um ano no Rio de Janeiro, que resultou em 122 mortes, entre elas cinco policiais.
A Secretaria Estadual de Segurança Pública informou que apenas as investigações sobre os assassinatos dos cinco policiais foram concluídas, com a acusação de 12 pessoas, sendo nove por homicídios e três por ordenar os ataques. As 117 mortes restantes, de civis, ainda estão sendo apuradas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, mas sem conclusões até agora, apesar de indícios de ilegalidades por parte das forças policiais.
✨ Entre as irregularidades estão mortes consideradas atípicas, como uma a curta distância e outra com um corpo decapitado.
O relatório da HRW revisou quase 9 mil páginas de inquérito e laudos de necropsia, além de horas de filmagens de câmeras corporais de policiais, e ouviu 41 indivíduos, incluindo familiares e testemunhas das vítimas.
Uma das principais falhas apontadas foi a falta de medidas investigatórias adequadas por parte da polícia. O Departamento Geral de Homicídios e Proteção Pessoal só teve conhecimento da operação por uma conversa informal uma semana antes e não se preparou para a ação. Durante a operação, várias mortes ocorreram sem a presença adequada de equipes de perícia.
Além disso, muitos corpos foram deixados expostos por horas, prejudicando a necropsia. A HRW também indicou que os policiais não seguiram os protocolos de preservação dos locais de crime.
O relatório também destaca indícios de que policiais tentaram obstruir a investigação, removendo corpos e manipulando câmeras corporais. A análise das câmeras mostrou que nenhuma das 117 mortes não policiais foi registrada, indicando possível ocultação de evidências.
Ainda segundo o relatório, a maioria das vítimas foi alvejada com múltiplos tiros, levantando suspeitas sobre a formação de execuções. Há relatos de familiares indicando que algumas vítimas estavam se entregando quando foram mortas.
A Polícia Militar optou por não comentar a situação, enquanto a Polícia Civil não forneceu respostas às solicitações de entrevistas. A Secretaria de Segurança pública afirmou que as investigações permanecem em andamento, com a coleta de depoimentos e análise de laudos.
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