Estudo revela o impacto da violência armada em escolas da capital baiana

Uma pesquisa recente do Instituto Fogo Cruzado revelou que os tiroteios em Salvador têm como alvo principal áreas negras e empobrecidas, principalmente entre 2023 e 2025. O estudo, apresentado nesta quinta-feira (13), destaca que a violência armada coloca crianças e adolescentes em risco, especialmente em dias letivos.
O relatório, intitulado 'A Geografia da Exposição', em colaboração com a Iniciativa Negra Por Uma Nova Política Sobre Drogas, mapeou 3.748 disparos, resultando em uma média de 3,4 tiroteios por dia. Alarmantemente, 59% desses incidentes ocorreram durante o horário escolar, o que limita a segurança e mobilidade da comunidade, coincidindo com a rotina dos estudantes nas escolas.
✨ 69% dos incidentes em dias de aula provêm de ações policiais e homicídios.
Estudos indicam que a violência não se limita aos períodos noturnos, com dados mostrando que 37,4% dos casos estão ligados a intervenções policiais e 32% a homicídios. Entre as 163 áreas monitoradas, 20% dos tiroteios ocorreram em apenas oito bairros, todos apresentando uma alta proporção de população não-branca e rendas médias bem abaixo do salário mínimo.
A pesquisa demonstra que as escolas em áreas de menor renda e maior percentual de população não-branca sofrem os maiores índices de risco. Enquanto a maioria das instituições de ensino público apresenta baixos níveis de ocorrências, uma quantidade significativa de alunos estuda em regiões com alta exposição à violência. Em 2025, 2.802 alunos estavam matriculados em escolas com alto risco, e 20.744 em áreas críticas.
"O estudo evidencia que a violência armada é uma realidade recorrente para muitas escolas e alunos em Salvador, gerando impactos profundos nas atividades educacionais e na comunidade como um todo.
Para quantificar a violência armada em torno das escolas, foi criado o Índice de Risco de Exposição Escolar (IREE). Este índice demonstra que, apesar de que a maioria das 600 instituições enfrentam baixa exposição, 120 delas são consideradas 'áreas críticas'. O relatório relata que, durante o período analisado, apenas 10 escolas não registraram tiroteios em 2023, enquanto a maior parte enfrentou até 74 dias afetados.
✨ Em 2025, 23 escolas enfrentaram mais de 40 dias de exposição à violência armada.
Diante de tal cenário, as Prefeituras-Bairro foram categorizadas para ajudar o poder público a priorizar ações. Regiões como Liberdade/São Caetano e Cidade Baixa foram destacadas como de prioridade muito alta, concentrando um número significativo de escolas em áreas críticas.
O relatório sugere que o governo utilize dados georreferenciados e o IREE para alocar recursos e desenvolver respostas rápidas para mitigar os efeitos da violência armada nas escolas, garantindo o direito à educação e protegendo os alunos.
A investigação foi apoiada pela Imaginable Futures e incluiu a análise de dados de segurança pública, educação e características socioeconômicas, abordando a questão da violência armada sob uma ótica educacional. A CNN Brasil também buscou um posicionamento do Governo da Bahia e da Prefeitura de Salvador sobre as conclusões do estudo, que está aberto a comentários.
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Jornalista especializado em Segurança

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