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Trabalho
3 min de leitura

Aumento da carga de trabalho não protege empregos da IA

Empregados enfrentam insegurança e são pressionados a parecer mais produtivos.

Ricardo Alves15 de abril de 2026 às 08:10
Aumento da carga de trabalho não protege empregos da IA

A crescente integração da inteligência artificial no ambiente de trabalho, combinada com um aumento significativo nas demissões no setor tecnológico, tem levado muitos profissionais a trabalhar mais horas em busca de segurança no emprego.

Uma pesquisa da Resume.io com mais de 3 mil trabalhadores revelou que, em média, os funcionários estão dedicando 2 horas e 24 minutos extras por semana, culminando em cerca de 125 horas adicionais a cada ano. Esse comportamento, que inclui jornadas mais longas e intervalos reduzidos, é visto como uma tentativa de demonstrar produtividade, uma estratégia que especialistas questionam.

Estratégias questionáveis em um mundo em mudança

Segundo Thiago Genaro, psiquiatra da Conexa, simplesmente aumentar a carga de trabalho não garante a manutenção do emprego. Ele argumenta que muitos trabalhadores, ansiosos por sua segurança, estão adotando uma abordagem que pode ser incompatível com as transformações que o mercado de trabalho está enfrentando. O foco está mudando de "quantidade de trabalho" para "como e para quê se trabalha".

Para Emilio Salcedo, especialista em tecnologia da RS Systems, este ambiente de incerteza é intensificado pela forma como a tecnologia é implementada nas empresas. Embora a IA possa eliminar tarefas repetitivas, ela também pode aumentar as expectativas de produtividade sem a devida revisão das metas.

Mais de 55% dos trabalhadores relataram que suas pausas diminuíram, refletindo a pressão por maior produtividade.

Efeito na saúde mental

A pressão para parecer constantemente ocupado pode aumentar o estresse e a sensação de insegurança.

Mudanças nas métricas de avaliação

A pesquisa aponta que a maioria dos entrevistados notou mudanças na avaliação de desempenho desde a implementação da IA. Por exemplo, 16% apontaram que o ritmo de trabalho aumentou, com a tecnologia exigindo resultados mais rápidos. Genaro menciona que as métricas de desempenho precisarão evoluir para se tornarem mais sofisticadas, focando não apenas na quantidade, mas na qualidade do trabalho realizado.

Nesse novo cenário, habilidades como análise, criatividade e a capacidade de interagir com a tecnologia se tornam essenciais. A crescente demanda por esses atributos torna mais difícil a manutenção de funções meramente mecânicas.

O futuro e a adaptação necessária

Apesar do avanço da IA, a preocupação com a substituição direta ainda é uma realidade para muitos trabalhadores. Quase 34% vêem isso como a principal ameaça. Genaro sugere que o desenvolvimento de novas habilidades alinhadas às ferramentas de IA é crucial para os trabalhadores modernos, e Salcedo concorda, enfatizando a importância de compreender a tecnologia e mapear tarefas que podem ser automatizadas.

Ambos os especialistas reconhecem que o maior desafio não é a tecnologia em si, mas sim sua implementação sem suporte adequado, que pode resultar em sobrecarga emocional e incertezas.

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