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China suspende compras de carne bovina e gera apreensão no setor

Frigoríficos brasileiros adaptam estratégias diante da cota imposta

Acro Rodrigues25 de maio de 2026 às 05:15
China suspende compras de carne bovina e gera apreensão no setor

A recente pausa da China nas importações de carne bovina do Brasil, após atingir a cota de 1,1 milhão de toneladas com a tarifa reduzida, pode afetar os planos dos frigoríficos nacionais e impactar suas margens de lucro.

Espera-se que as exportações para a China sejam suspensas entre julho e outubro de 2026.

As vendas de carne para o país asiático sofrerão uma tributação extraordinária de 55% após o esgotamento da cota. Em um encontro recente na Sial China, vários executivos do setor expressaram a necessidade de realizar ajustes nas operações para lidar com essa nova realidade.

Reação do Setor de Frigoríficos

Marcos Alexandre Domingues, presidente da Iguatemi Foods, comentou que, embora o cenário atual apresente desafios, o setor está preparado para enfrentar a tempestade com estabilidade. Segundo ele, está havendo uma adaptação para explorar novos canais de distribuição sem cortar a produção drasticamente.

Luciano Pascon, CEO da Frigol, relevou que a situação não indica uma crise severa, sublinhando que o setor continua a ter demanda. Ele avaliou, entretanto, que haverá um período de desconforto e reestruturação após o término da cota.

A China, um dos maiores compradores globais de carne bovina, representa 42% das vendas da Frigol em 2025.

Para lidar com a redução da demanda chinesa, as empresas estão aumentando a venda interna e redirecionando suas exportações. A Masterboi, por exemplo, está focando em linhas premium e busca novas oportunidades de mercado.

Flávio Silva, gerente de exportação da Masterboi, revelou que a empresa está adotando uma abordagem proativa ao mercado interno, previu aumento de preços para cortes utilizados em churrascos devido à maior demanda relacionada ao evento da Copa do Mundo e ao incremento do fluxo de caixa perto das eleições.

Perspectivas Futuras

Com as incertezas em torno das exportações, muitos execuções alertaram para a necessidade de proteção financeira, citando a importância de garantir a rentabilidade por meio de estratégias conservadoras.

Pecuaristas são esperados a ajustar suas práticas de vendas, e a expectativa é de que a cotação da arroba do boi passe por flutuações ao longo do ano, com a produção se adequando ao novo cenário de demanda.

Roberto Perosa, presidente da Abiec, indicou que, apesar do quadro desafiador, existe um potencial de crescimento no mercado interno, embora a produção de carne possa ser ligeiramente reduzida.

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