Japão avalia sistema sanitário brasileiro para carne bovina
Missão técnica pode abrir mercado japonês para carne nacional

A missão técnica do Japão, destinada a avaliar o sistema sanitário do Brasil para uma possível autorização da carne bovina nacional no mercado japonês, está no país até 13 de abril.
Apesar dos esforços do governo brasileiro para expandir a área de inspeção, os auditores farão a avaliação focando nas três regiões sulinas, que foram as primeiras a receber o certificado de ausência de febre aftosa sem vacinação.
✨ Esse processo é um passo chave na validação do sistema sanitário brasileiro, aguardado há anos para liberar os embarques de carne bovina.
Após a auditoria, o passo seguinte para iniciar as exportações depende apenas de trâmites documentais, mas o setor privado expressa cautela quanto à possibilidade de atrasos.
O Japão importa anualmente cerca de 700 mil toneladas de carne bovina, representando 60% do seu consumo, proveniente principalmente de países como Estados Unidos e Austrália, com transações que alcançam US$ 4 bilhões.
O Brasil busca integrar-se a esse mercado dada a alta valorização dos produtos, com preços que variam entre US$ 4.500 a US$ 6.800 por tonelada, além de diversificar suas exportações após a imposição de cotas pela China.
Composta por auditores do Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão e da Organização Nacional de Pesquisa em Agricultura e Alimentos, a missão avaliará a eficácia do sistema sanitário brasileiro.
"Estamos dando passos para entrar na próxima etapa e esperamos que esse processo se acelere, disse o embaixador japonês Yasushi Noguchi.
Os inspetores investigarão a aplicação de legislações e protocolos sanitários, além de revisarem a vigilância contra a febre aftosa em diferentes níveis. Essa análise é fundamental para demonstrar a habilidade do Brasil em controlar a doença.
Detalhes da Inspeção
A missão inclui avaliações em fazendas, frigoríficos e laboratórios, além de agências de vigilância agrícola.
Apesar do status sanitário do Brasil, a redução das tarifas de importação, que atualmente chegam até 38,5%, será um desafio a ser enfrentado após a validação.
O Japão já havia reconhecido o Brasil como país livre da febre aftosa sem vacinação em junho de 2025, uma condição essencial para comercializar carne bovina.
A identidade das regiões a serem visitadas e os cronogramas da inspeção são confidenciais, conforme acordo entre os dois países, para manter a integridade do processo.
Uma equipe japonesa também fez uma visita preliminar em 2025, que não resultou em um parecer oficial, porém permitiu avanços nas negociações com o governo brasileiro.
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