Estudo da Embrapa revela benefícios da polinização pelas abelhas silvestres

Um estudo conduzido pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, no sudoeste de Goiás, revelou que a presença de abelhas nativas em lavouras de soja pode aumentar, em média, 7% o peso dos grãos. A pesquisa identificou 27 novas espécies de abelhas associadas à cultura da soja.
Realizado em plantações localizadas em Rio Verde e Montividiu, o estudo contabilizou 40 espécies de abelhas, que não tinham sido previamente registradas na literatura científica. Ao incluir fragmentos de vegetação nativa em torno das lavouras, o total subiu para 53 espécies, distribuídas em cinco famílias: Apidae, Andrenidae, Megachilidae, Colletidae e Halictidae.
✨ A presença de abelhas silvestres é fundamental para aumentar a produtividade agrícola e promover a biodiversidade.
A conservação de fragmentos de vegetação nativa nas parcelas agrícolas é crucial para manter a diversidade de polinizadores e garantir a produtividade da soja.
Os resultados da pesquisa foram publicados no artigo intitulado "Bioinput Use and Native Vegetation Fragments are Associated With Higher Bee Community Evenness in Large-Scale Soybean Crops", no Journal of Applied Entomology, e refletem anos de pesquisa. Os dados indicam que a preservação das abelhas silvestres é não apenas benéfica para a biodiversidade, mas também essencial para a segurança alimentar.
A pesquisa também analisou o impacto do manejo agrícola sobre as comunidades de abelhas. Historicamente, o uso intensivo de inseticidas e fungicidas nas plantações de soja tem levado à redução da diversidade de abelhas, causando uma diminuição na equitabilidade entre as espécies.
"A equitabilidade indica como os indivíduos estão distribuídos entre as diferentes espécies de uma comunidade
Pires destaca que até mesmo um número elevado de insetos em uma área não é suficiente para avaliar sua saúde, pois pode indicar a predominância de uma única espécie resistente, transformando a lavoura em um "deserto de biodiversidade".
De acordo com a pesquisa, propriedades que adotaram o uso de bioinsumos e reduziram o uso de químicos tóxicos mostraram uma diversidade maior e mais saudável das espécies de abelhas.
✨ Práticas de agricultura regenerativa são essenciais para preservar os ninhos das abelhas e garantir sua permanência nas lavouras.
Carmen Pires ressalta a importância de reduzir o revolvimento do solo e manter a palhada, práticas que protegem os ninhos subterrâneos das abelhas, permitindo que elas sobrevivam entre safras.
O estudo observou também uma relação clara entre a presença de fragmentos de vegetação nativa do Cerrado e a abundância de abelhas nas lavouras de soja. As áreas nativas próximas às plantações funcionam como refúgios e fornecem alimento, especialmente em períodos sem floração da soja.
Dentre as 18% das espécies que constroem ninhos em ocos de troncos de árvores caídas, a Ceratina duplocarinata foi a mais representativa nas áreas de vegetação nativa, enquanto o gênero Dialictus predominou nas lavouras de soja.
As descobertas ressaltam a importância de manter ambientes saudáveis para as abelhas, vital não apenas para a produção agrícola, mas também para a preservação da biodiversidade no Cerrado.
O estudo, parte do projeto Regenera Cerrado, envolveu parcerias entre a Embrapa, a Universidade de Brasília, a Universidade Federal da Bahia e o Instituto Federal Goiano, e visa investigar os impactos de práticas de agricultura regenerativa na saúde do solo e na presença de polinizadores.
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