Lagarta-rosca ameaça produtores de milho com resistência a inseticidas
Desafios crescentes no controle da praga afetam custos e produtividade

A lagarta-rosca se tornou uma preocupação crescente entre os agricultores de milho devido aos danos que causa logo no início do cultivo e à crescente resistência a inseticidas e técnicas de controle BT.
Este inseto ataca as plântulas nos primeiros estágios de crescimento, comprometendo o estande e aumentando os custos de produção quando os métodos de controle não são eficazes.
✨ A praga é mais comum em áreas com plantio direto e alta quantidade de palhada.
Essas condições favorecem o abrigo das larvas no solo, resultando em ataques discretos: durante o dia, as lagartas se escondem em restos culturais, enquanto à noite atacam as plantas, cortando-as na superfície.
Os efeitos sobre a lavoura são rápidos e graves, levando a plantações tombadas ou desaparecidas, e em casos extremos, pode ser necessário o replantio, o que acarreta custos adicionais e afeta a uniformidade e o potencial produtivo da safra.
Preocupa também a redução na eficácia dos métodos de controle, pois a utilização repetida de inseticidas de mesma classe, como piretroides e organofosforados, junto com o uso contínuo de híbridos BT sem manejo de refúgios, intensifica a seleção da praga.
Isso permite que indivíduos menos susceptíveis sobrevivam e proliferem, dificultando o controle ao longo das safras. Essa resistência não é percebida instantaneamente, mas seus efeitos se acumulam e aumentam a necessidade de intervenções cada vez mais custosas, impactando a produtividade.
Com esse cenário desafiador, o manejo da lagarta-rosca se tornou mais complexo; a solução não se restringe mais aos inseticidas tradicionais, mas requer uma estratégia abrangente.
Estratégias de Controle
A monitorização desde a emergência da cultura, a inspeção de plantas danificadas e a confirmação da presença das lagartas no solo são ações fundamentais para evitar aplicações desnecessárias de produtos químicos.
Recomendações incluem a rotação de ingredientes ativos dos inseticidas, o uso criterioso do milho BT, e a implementação de zonas de refúgio para preservar populações suscetíveis e retardar o avanço da resistência.
Além disso, práticas culturais, como o manejo de plantas daninhas, a rotação de culturas e o controle de excesso de palhada, são importantes para reduzir a pressão inicial da praga e a dependência de soluções isoladas.
O aviso é claro: a lagarta-rosca continua sendo uma praga de significativo impacto no cultivo de milho, mas o maior risco reside em persistir nas mesmas abordagens para um problema que já demonstra mutações.
O principal desafio para o agricultor agora não é apenas combater os ataques, mas também manter a eficácia das tecnologias disponíveis e evitar que a resistência transforme uma questão temporária em um problema crônico.
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