Área de trigo no Rio Grande do Sul cai 31,5% na safra 2026
Redução nas lavouras gera preocupações sobre a rentabilidade dos produtores

Na safra de inverno de 2026, a área dedicada ao cultivo de trigo no Rio Grande do Sul deve apresentar uma drástica redução, de 31,5%, totalizando cerca de 790 mil hectares. O levantamento divulgado pela Fecoagro/RS, em parceria com a Rede Técnica Cooperativa, revela um cenário desafiador para os agricultores.
Cenário de cautela no campo
A diminuição da área plantada não é um fenômeno isolado. Em comparação com os quatro últimos ciclos agrícolas, houve uma queda geral de 50% na área cultivada com trigo no estado. Este movimento reflete a dificuldade que os produtores enfrentam ao tentar equilibrar as variáveis climáticas, custos emergentes, preços do mercado e retorno financeiro, todos cruciais para o sucesso da cultura de inverno.
✨ O Rio Grande do Sul produziu cerca de 18,4 milhões de toneladas de trigo nos últimos cinco anos, com 60% dessa produção exportada.
"A redução da área cultivada preocupa, pois impacta economicamente as propriedades. O trigo é essencial para diluir custos fixos e garantir a rentabilidade do sistema agrícola. Uma diminuição tão significativa compromete a eficiência econômica do sistema produtivo
Impacto das condições climáticas
De acordo com a análise técnica da RTC/CCGL, os produtores encontram-se diante de desafios financeiros mais complexos. Geomar Corassa, gerente de Pesquisa e Tecnologia da RTC/CCGL, associa a redução da área plantada à combinação de incertezas climáticas e perspectivas de baixa rentabilidade. A previsão do fenômeno de El Niño, por exemplo, pode comprometer ainda mais a produtividade do trigo na região.
O desafio é ainda maior quando se considera que o risco climático se acumula a um cenário econômico desfavorável. Para muitos agricultores, isso pode significar o abandono da semeadura, não apenas uma redução nas práticas tecnológicas tradicionais.
Medidas para recuperação da confiança
A Fecoagro/RS sugere que a restauração da confiança dos produtores requer ações estruturantes. Para isso, a entidade defende a implementação de políticas que apoiem a produção e comercialização, além de mecanismos que minimizem o risco de perdas, especialmente em um contexto de eventos climáticos extremos.
✨ Entre as propostas está o fortalecimento do seguro rural, com ampliação de recursos para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), essencial para mitigar os custos das apólices contratadas pelos agricultores.
Borghetti finaliza enfatizando a importância dessas políticas: "Precisamos garantir maior segurança ao produtor rural, promovendo um suporte robusto ao cultivo do trigo, que é vital para nosso estado."
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