Mercado se mostra otimista, apesar de riscos climáticos em nações produtoras

Entre julho e agosto de 2026, o mercado de algodão apresentou uma valorização significativa, impulsionada pela recuperação da demanda internacional e pela redução projetada dos estoques globais, conforme relatórios da Consultoria Agro do Itaú BBA.
Os preços no mercado internacional mostraram uma tendência crescente. Em julho, o primeiro vencimento na Bolsa de Nova York alcançou uma média de USDc 77,54 por libra-peso, refletindo um aumento de 4,9% em relação ao mês anterior. A consultoria destacou que a demanda robusta, especialmente advinda da Ásia, aliada à expectativa de estoques menores, sustentou essa elevação.
O mês de agosto continuou essa trajetória, com a média passando para USDc 82,12 por libra-peso, alta de 5,9%. Em contrapartida, no Brasil, a nova safra inicialmente pressionou os preços, com o algodão em Rondonópolis apresentando uma média de R$ 3,80 por libra-peso em julho, 1,4% inferior ao mês anterior. Contudo, houve uma recuperação em agosto, com os preços subindo para R$ 3,91, uma valorização de 2,9%, em linha com o mercado internacional.
✨ O Brasil consolidou sua posição como o maior exportador mundial de algodão, exportando 3,4 milhões de toneladas na temporada 2025/26, um crescimento de 18,5% em comparação ao ciclo anterior.
O cenário internacional também passou por mudanças. Os estoques finais de algodão para 2026/27 foram projetados em 15,2 milhões de toneladas, uma queda de 7% em relação ao ano anterior. A produção global deve atingir 25,6 milhões de toneladas, enquanto o consumo é estimado em 26,8 milhões.
Na China, o clima apresenta riscos significativos, com temperaturas acima da média em Xinjiang, a principal região produtora do país, levantando preocupações sobre perda de produtividade. Além disso, a redução da área plantada na China é um fator a ser monitorado.
A Índia também deve ser observada, principalmente devido à influência do fenômeno El Niño, que inicialmente intensificou os temores de seca, embora condições favoráveis nas monções tenham ajudado a mitigar esses riscos.
No estado de Mato Grosso, os produtores têm avançado com suas vendas, reduzindo a exposição a oscilações futuras. A Consultoria Agro do Itaú BBA reportou que cerca de 74% da produção de 2025/26 já estava comercializada, enquanto a safra de 2026/27 apresentava 32% de comercialização.
Com vendas realizadas com antecedência e estoques globais em queda, o setor de algodão entra em um período de perspectivas mais otimistas, mesmo que fatores climáticos e de demanda continuem a desempenhar papéis decisivos nos próximos meses.
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