Crédito rural tem redução de 5% na safra 2025/26
Desempenho mostra queda em diversos segmentos da agricultura

Os setores de crédito voltados para a agricultura empresarial enfrentaram um recuo de 5% no total de desembolsos na safra 2025/26, quando comparado ao mesmo intervalo da safra anterior. O montante alcançou R$ 391,2 bilhões entre julho do ano passado e abril deste ano, em contraste com os R$ 409,8 bilhões liberados durante a safra 2024/25.
Desempenho Geral do Crédito Rural
De acordo com o boletim de desempenho do Plano Safra, divulgado pelo Ministério da Agricultura, houve uma diminuição significativa nas linhas de crédito para custeio, comercialização e investimentos. No entanto, notou-se um aumento no crédito destinado à industrialização e o uso de Cédulas de Produto Rural (CPR), que agora representam 43% do total concedido.
✨ As CPRs aumentaram 10% ano a ano, totalizando quase R$ 167 bilhões.
Contexto
O aumento do uso de CPRs reflete uma tendência de diversificação dos produtores rurais em busca de alternativas frente a elevados custos financeiros e restrições ambientais das linhas tradicionais de crédito.
O desembolso para custeio foi de R$ 125,6 bilhões, caindo 14% em relação ao ciclo anterior. As linhas de comercialização também sofreram uma queda de 29%, resultando em R$ 41,6 bilhões, enquanto os investimentos apresentaram uma redução de 22%, totalizando R$ 28,6 bilhões. O financiamento por meio do programa Moderfrota para máquinas agrícolas experimentou uma retração ainda mais acentuada de 54%, alcançando apenas R$ 3,6 bilhões.
A análise do Ministério da Agricultura destaca que essa queda generalizada nos desembolsos está atrelada a uma cautela no setor, gerada por taxas de juros elevadas e a expectativa de redução gradual da Selic nos próximos anos. Além disso, questões como instabilidade do mercado internacional, aumento da inadimplência e custos de produção elevados também pesam sobre a atividade agropecuária.
Crescimento em Setores Específicos
Em contrapartida, as concessões para a industrialização de produtos agrícolas tiveram um crescimento expressivo de 66% na mesma janela, subindo de R$ 17,1 bilhões para R$ 28,4 bilhões. Este desempenho sugere uma expansão nas cadeias agroindustriais e um maior valor agregado à produção agrícola, alinhando-se à estratégia de modernização do setor.
O crédito liberado para médios produtores através do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) cresceu 3%, somando R$ 52,1 bilhões, enquanto para grandes produtores houve uma diminuição de 17%, totalizando R$ 172,1 bilhões. Existe um aumento de 8% nas concessões para médios produtores, com R$ 47,8 bilhões, enquanto os grandes receberam uma queda de 23%, reduzindo-se para R$ 77,8 bilhões.
O relatório também revela uma diminuição no número de contratos, exceto aqueles vinculados à industrialização, que aumentaram em 18%, totalizando 1.081. As emissões de CPR também caíram em 19%, contabilizando 135.929 documentos.
Para a safra 2026/27, cujas atividades se iniciarão em julho, o Ministério espera que a previsão de queda da Selic contribua para uma redução no custo do crédito rural, o que pode estimular uma recuperação gradual nas contratações de crédito, especialmente nas áreas que enfrentaram as maiores reduções neste ano.
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