Voltar
agricultura
3 min de leitura

Dependência de fertilizantes importados gera alerta no Brasil

Cenário geopolítico agrava dependência e pressiona custos no agronegócio

Gabriel Rodrigues16 de abril de 2026 às 17:15
Dependência de fertilizantes importados gera alerta no Brasil

A crescente instabilidade geopolítica em áreas-chave para a produção agrícola levanta preocupações no agronegócio brasileiro devido à elevada dependência de fertilizantes importados. Conflitos recentes no Oriente Médio e as consequências persistentes da guerra entre Rússia e Ucrânia afetam diretamente a oferta global desses insumos, pressionando os custos de produção no setor.

O Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes utilizados no país, um índice crescente ao longo dos anos.

Dados da ANDA (Associação Nacional para Difusão de Adubos) revelam que, em 2025, 16% dos fertilizantes nitrogenados utilizados pelo Brasil vieram do Oriente Médio. Considerando também importações de outras regiões com tensões, como Rússia e Venezuela, o total de nitrogenados importados aumenta para 32%. O Brasil se tornou o maior importador mundial desses insumos, com um aumento médio de 3,8% anualmente entre 2014 e 2023, enquanto a taxa global é de apenas 0,8%, de acordo com a International Fertilizer Association (IFA).

"

"O Brasil se destaca não apenas como o maior importador mundial, mas também como o país com a menor produção interna, enfrentando uma demanda crescente devido à conversão de pastagens em áreas agrícolas e ao aumento na produção de safra."

Camila Dias de Sá, gerente do Instituto Equilíbrio.

Diante desse panorama, torna-se imprescindível a implementação de programas como o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), que visa reduzir essa dependência externa para 50% até 2050, por meio de incentivos à produção local, modernização do setor industrial e melhorias na infraestrutura.

Desafios e Oportunidades na Produção Doméstica

Entre os entraves para a ampliação da produção interna estão os altos custos do gás natural, limitações logísticas e a necessidade de uma maior articulação entre órgãos governamentais, além de fortalecer as parcerias entre os setores público e privado. Uma alternativa promissora é a pesquisa e desenvolvimento de fertilizantes verdes, que são fabricados a partir de hidrogênio verde e podem contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa na agricultura.

Fertilizantes verdes poderiam diminuir a dependência de importações e reduzir a pegada de carbono do agro.

No entanto, a adoção em larga escala dessa tecnologia enfrenta desafios significativos, principalmente em relação aos custos de produção, que podem ser até oito vezes superiores aos métodos tradicionais que utilizam combustíveis fósseis. Para viabilizar esses projetos, políticas de incentivo, contratos de longo prazo e a implementação de um mercado de carbono são essenciais.

Outro ponto crítico é o manejo eficiente dos fertilizantes utilizados no campo, o que pode ajudar na redução de desperdícios e nas emissões, especialmente do óxido nitroso (N₂O), que tem um potencial de aquecimento global 265 vezes maior que o do CO₂ e representa cerca de 6% das emissões agrícolas no Brasil.

"

"A questão dos fertilizantes deve ser vista como estratégica para o Brasil, que possui uma matriz energética renovável e potencial para se tornar um produtor global. Isso, no entanto, exige investimentos e coordenação de ações a longo prazo."

Camila Dias de Sá.

Não perca nenhuma notícia!

Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.

Ao assinar, você concorda com nossa política de privacidade.

Gostou desta notícia? Compartilhe!

Mais de agricultura