Excesso de chuvas no Sul do Brasil ameaça safra de trigo
Condições climáticas complicam produção e aumentam importações

Nas últimas semanas, o excesso de chuvas e a presença de granizo têm gerado um cenário alarmante para as lavouras de trigo no Sul do Brasil. O Rio Grande do Sul é a região mais afetada, o que pode resultar em uma queda significativa na produção nacional e aumentar a dependência do Brasil em relação às importações, conforme análise feita pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA).
O preço do trigo na Bolsa de Chicago fechou em US$ 6,63 por bushel em 30 de julho, uma diminuição em relação ao valor de US$ 6,96 da semana anterior. Essa redução no preço internacional também tem gerado pressão sobre os valores da soja, refletindo a interconexão do mercado agrícola.
✨ O cenário de produção de trigo no Brasil pode se tornar ainda mais crítico devido às condições climáticas adversas.
Situação das lavouras nos EUA e na Rússia
Nos Estados Unidos, a colheita do trigo de inverno já alcançou 81% da área semeada, superando a média histórica de 79%. Para o trigo de primavera, 2% da área foi colhida, de acordo com as expectativas do período. As condições dessas lavouras são majoritariamente boas, com 53% das áreas classificadas entre boas e muito boas.
Enquanto isso, na Rússia, os preços de exportação do trigo se estabilizaram devido à diminuição da demanda, influenciada pelos altos custos de transporte marítimo. Além disso, melhorias nas condições de navegação no Mar Negro, em meio ao conflito com a Ucrânia, têm aliviado a pressão sobre o mercado.
Impacto nas importações e preços internos
A produção de trigo está sob forte influência das condições climáticas, e a situação é particularmente grave no Rio Grande do Sul. O Paraná, por sua vez, viu suas lavouras beneficiadas pelas chuvas. A média semanal do preço do trigo no Rio Grande do Sul foi de R$ 69,80 por saca, enquanto no Paraná, a melhor qualidade foi negociada a R$ 75 por saca.
Com a produção nacional em declínio, as importações se tornaram essenciais para garantir o fornecimento aos moinhos brasileiros. O preço do dólar, juntamente com os custos de transporte e a disponibilidade de trigo no exterior, associam-se diretamente às cotações internas dos produtos.
Até o final de julho, o Brasil registrou contratações de importação acumuladas de 4,52 milhões de toneladas para o ano comercial 2025/26, comparado a 5,84 milhões de toneladas no mesmo período do ano anterior. O Ceará lidera como o estado que mais recebeu trigo importado, seguido por São Paulo, Pernambuco e Bahia.
A Argentina continua sendo a principal fornecedora, tece a recomendação de monitorar as compras do Brasil, que somaram cerca de 630 mil toneladas até junho, abrangendo outros canais de distribuição, como as compras realizadas do Paraguai.
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