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agricultura
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Mercosul e União Europeia firmam acordo que muda mercado agrícola

A entrada em vigor do acordo traz desafios e oportunidades para o setor agrícola

Acro Rodrigues30 de abril de 2026 às 08:35
Mercosul e União Europeia firmam acordo que muda mercado agrícola

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia entra em vigor a partir de 1º de maio, provocando um rearranjo nas dinâmicas do setor agrícola. A indústria de máquinas e equipamentos agrícolas se prepara para um cenário de maior competição com o crescimento do volume de importações.

Pedro Estêvão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, alerta que, caso o Brasil não melhore suas condições de custo, poderá perder competitividade a longo prazo. "O custo de capital eleva o preço dos produtos brasileiros em cerca de 20% em comparação aos de países da OCDE", explica.

Os europeus abrem mão de tarifas em 95% dos produtos do Mercosul, enquanto o Brasil zerará tarifas sobre 91% das importações da Europa.

Além das tarifas, o desafio da indústria nacional reside na atualização do parque de máquinas, cuja velhice impacta diretamente a produtividade. Bastos afirma que, embora a baixa produtividade seja frequentemente atribuída ao trabalhador, na verdade está relacionada ao maquinário antiquado, com juros superiores a 20% ao ano dificultando a renovação.

O Acordo Interino de Comércio estabelece um período de até 15 anos para a implementação total das novas regras, permitindo tempo para ajustes no ambiente de custos brasileiro. Contudo, a importação de máquinas não será imediata, com regulamentações locais, como a exigência de conteúdo nacional nas compras com crédito rural, limitando a entrada de equipamentos prontos da Europa.

Bastos observa a importância de uma rede de suporte para produtos de maior valor agregado, ressaltando que as empresas europeias precisarão se estabelecer no Brasil para oferecer assistência técnica apropriada. Essa instalação demandará tempo, o que pode suavizar o impacto imediato da concorrência externa.

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A abertura do mercado europeu pode beneficiar as exportações brasileiras, principalmente de grãos e carnes, o que, por sua vez, incentivará o aumento da área cultivada e as vendas de máquinas.

Carlos Daniel Haushahn, CEO da Jacto, ressalta que mais concorrência poderá promover avanços tecnológicos no setor, contribuindo para o fortalecimento da indústria nacional. Da mesma forma, Paulo Arabian, da CNH, acredita que o acordo irá expandir oportunidades de acesso a inovações e aumentar a competitividade entre os blocos.

A entrada de novas tecnologias e sistemas avançados de agricultura de precisão será uma consequência direta da redução de barreiras comerciais, segundo César Roberto Guimarães de Oliveira, da Agritech. Para Lucas Zanetti, da Massey Ferguson, o acordo exigirá melhorias na eficiência e sustentabilidade do setor, o que representa um estímulo para a inovação e a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado global.

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