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agricultura
2 min de leitura

Negociações sobre antimicrobianos expõem desafios na produção animal

Dificuldades entre ciclos produtivos e comprovações de controle são questionadas

Gabriel Rodrigues28 de julho de 2026 às 02:45
Negociações sobre antimicrobianos expõem desafios na produção animal

As atuais conversas sobre a implementação de restrições ao uso de antimicrobianos na produção animal no Brasil revelam uma tensão entre o ritmo dos ciclos produtivos e a necessidade de comprovações efetivas dos controles estabelecidos. Maria Eduarda Blaiklock, estrategista do Agro Global focada em riscos comerciais, regulatórios e sanitários, aponta que, apesar da comunicação do Ministério da Agricultura assegurar que o Brasil já ofereceu garantias adequadas, não há esclarecimento sobre quais aspectos ainda estão em avaliação pela União Europeia.

Um aspecto crucial é o entendimento de que a permanência de um país na lista de exportadores autorizados não implica que toda sua produção seja imediatamente considerada elegível. Com ciclos produtivos distintos para bovinos, aves, peixes e colmeias, a oferta de produtos em conformidade com as exigências europeias pode se manifestar de forma gradual.

A questão central se concentra na capacidade do sistema brasileiro de identificar, registrar e separar lotes de animais aptos e não aptos, além de garantir a rastreabilidade e o histórico de cada produto.

Embora a produção possa necessitar de tempo para atender às exigências, a infraestrutura de controle deve estar estabelecida antes da certificação. Isso implica em ter regras bem definidas, sistemas de fiscalização eficazes e mecanismos de supervisão capazes de barrar produtos que não apresentem evidências apropriadas para garantir a qualidade.

Blaiklock também ressalta que, embora a experiência do Brasil em exportações e sua credibilidade sanitária sejam fatores relevantes, eles não substituem a necessidade de comprovações específicas para atender às novas exigências. A documentação apresentada deve alinhar-se com os critérios da avaliação e demonstrar a eficácia dos controles na prática.

Diante da falta de clareza sobre as divergências técnicas, as medidas já adotadas e os passos subsequentes a serem seguidos, a assertividade do discurso do Brasil pode satisfazer o cenário interno, mas isso não altera, de forma direta, a avaliação realizada pelos reguladores.

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