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agricultura
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Safrinha 2026 demanda planejamento energético para produtores

Setor agrícola enfrenta desafios com tarifas de energia em alta

Gabriel Azevedo23 de abril de 2026 às 16:45
Safrinha 2026 demanda planejamento energético para produtores

Com a conclusão do plantio da safrinha 2026 em 100% da área prevista, o setor agrícola já enfrenta a fase crítica do desenvolvimento das lavouras. Neste período, a energia elétrica, muitas vezes considerada um custo residual, se torna um item essencial para o sucesso da colheita.

Gustavo Sozzi, CEO da Lux Energia, alerta que a falta de planejamento para consumo de energia pode colocar os produtores em desvantagem. 'Os agricultores normalmente já definem semente, fertilizantes e defensivos, mas a energia ainda é vista como um desperdício. Com as tarifas atuais e novos aumentos previstos, não planejar energia já é um erro para quem começa a safrinha', diz Sozzi.

Projeções indicam um aumento de até 7,95% nas tarifas elétricas, superando a inflação esperada em 2026.

Os subsídios ao setor elétrico para os consumidores devem alcançar R$ 47,8 bilhões, um aumento de 17,7% em relação a 2025. Além disso, as pesquisas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam que a demanda elétrica nas áreas agrícolas está crescendo acima da média, particularmente nas regiões de expansão como o Centro-Oeste e Matopiba, onde a safrinha está concentrada.

Com a irrigação em alta, já são mais de 8 milhões de hectares irrigados no Brasil, aumentando a necessidade de um fornecimento energético contínuo. Estudos da Universidade de São Paulo (USP) revelam que sistemas de irrigação por pivô central podem representar até 30% dos custos totais de operação em algumas propriedades.

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A ausência de energia nos momentos críticos não representa apenas um custo. Isso se traduz em perda de produtividade e deterioração do grão. O produtor deve ter previsibilidade de energia, assim como do clima, para evitar surpresas desagradáveis durante a safra.'

Gustavo Sozzi.

O cultivo no Mato Grosso está estimado em 7,4 milhões de hectares de milho, resultando em uma produção superior a 47 milhões de toneladas, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). No Centro-Sul, a produção esperada atinge 100 milhões de toneladas, conforme a análise da Safras & Mercado, com 17,9% do volume já comercializado.

Para Sozzi, o setor precisa mudar sua abordagem em relação à energia. 'O agronegócio brasileiro já é tecnologicamente avançado, com a utilização de drones, sensores e biotecnologia. A energia deve ser tratada da mesma forma que outros insumos importantes. Um gerenciamento efetivo é crucial para evitar problemas futuros.'

Entre as recomendações de Sozzi estão a adoção de uma gestão contratual mais eficiente, aproveitando mecanismos regulatórios como descontos para irrigação noturna, e considerar a migração para o Mercado Livre de Energia, além de investir em geração própria.

Com práticas de eficiência energética, é possível reduzir os custos de irrigação em até 30% em propriedades de médio a grande porte. 'Em um cenário de margens apertadas, a forma de gerenciar a energia pode definir a rentabilidade na safrinha 2026', conclui Sozzi.

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