Organização discute com representantes internacionais sobre impactos de vírus de pombo nas exportações do setor avícola.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) iniciou negociações com empresas e representantes do setor avícola internacional para revisar os efeitos comerciais resultantes de casos de Doença de Newcastle em aves comerciais, especificamente relacionadas ao Pigeon Paramyxovirus 1 (PPMV-1). Esta situação foi identificada em infecções de perus em três granjas do oeste de Santa Catarina.
Dados da Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) confirmam que os perus infectados nas granjas estavam acometidos pelo PPMV-1, um vírus relacionado a pombos. Além disso, a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) reportou a presença do vírus em pombos na natureza na localidade de Marema.
O primeiro registro da Doença de Newcastle em granjas comerciais foi em Nova Itaberaba em 19 de outubro, seguido por outros dois casos em Coronel Freitas e Nova Erechim. Ricardo Santin, presidente da ABPA, destacou que o PPMV-1 não apresenta risco à saúde das aves ou dos humanos, diferentemente de outros tipos de vírus de Newcastle.
✨ Santin enfatiza que o controle atual está sendo feito como se o vírus PPMV-1 fosse letal, quando na realidade não representa perigo para os rebanhos.
Os casos de Newcastle foram descobertos após testes periódicos, com as aves apresentando-se assintomáticas. Santin conjecturou que a infecção poderia ter ocorrido por meio de excrementos de pombos contaminados em locais acessados por trabalhadores.
Ele lembrou que, há mais de dez anos, a indústria avícola já debatia as consequências comerciais de infecções virais, trazendo à tona que, na época, a inspeção de vírus de influenza aviária de baixa patogenicidade resultava em fechamento de mercados. Desde então, apenas casos de gripe de alta patogenicidade implicam suspensão de exportações.
Santin questiona a necessidade de fechar mercados para o PPMV-1, argumentando que se o vírus não afeta a saúde das aves, nem dos humanos, não há justificativa para limitar o comércio. Ele iniciou essa abordagem na Sial Paris, evento de alimentos que ocorreu recentemente na capital francesa.
O presidente da ABPA concluiu que é preciso rever essas diretrizes em um mundo que enfrenta desafios de abastecimento alimentar, buscando uma forma de proteger a saúde pública e os rebanhos sem comprometer a oferta de alimentos.
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