A iniciativa tem como objetivo produzir diesel renovável e combustível sustentável de aviação a partir da palmeira nativa brasileira.

A macaúba, uma palmeira nativa do Brasil, está no foco de um projeto da Acelen Renováveis que visa aumentar a produção de combustíveis de baixo carbono. A empresa, associada ao fundo Mubadala Capital, investe na planta com o intuito de produzir diesel renovável e combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), almejando contribuir para a descarbonização de setores com dificuldades na substituição de combustíveis fósseis.
Com uma capacidade prevista de 1 bilhão de litros de combustíveis renováveis, o projeto contempla atividades agrícolas na Bahia e Minas Gerais, além da construção de uma biorrefinaria em São Francisco do Conde, na Região Metropolitana de Salvador. Essa estratégia integra a transição energética da companhia, que visa unir investimentos, inovação agroindustrial e a recuperação de pastagens degradadas para estabelecer uma cadeia produtiva voltada aos biocombustíveis.
✨ Acelen prevê utilizar 144 mil hectares de pastagens degradadas e estima uma redução de até 80% nas emissões de gases de efeito estufa em comparação com combustíveis fósseis.
Marcelo Lyra, vice-presidente de Relações Institucionais, ESG e Comunicação da Acelen Renováveis, apresentou detalhes do projeto durante o Fórum Planeta Campo 2026 em São Paulo. Ele defendeu que a iniciativa busca atender à crescente demanda por combustíveis de menor intensidade de carbono em um mercado em escala comercial. A escolha da macaúba se deve à sua capacidade de produzir óleo vegetal, que será um insumo importante para biocombustíveis.
Além de não competir diretamente com culturas alimentícias, a macaúba oferece uma oportunidade valiosa para desenvolver uma nova cadeia produtiva. O projeto visa aproveitamento de áreas degradadas, recuperando terras, e ainda desenvolve um sistema de produção agrícola robusto com a inauguração do Acelen Agripark, indicado para a produção de até 10,5 milhões de mudas por ano.
Lyra informou que a taxa de germinação da macaúba melhorou de 3% para 80% com métodos próprios, aumentando significativamente a capacidade para expansão do cultivo. Com 90 mil mudas já plantadas na Fazenda Cachoeira, na Bahia, a empresa está avançando nas implementações da cadeia agrícola do projeto.
A iniciativa compreenderá uma biorrefinaria para transformar o óleo de macaúba em combustíveis renováveis. Este trabalho é crucial para setores que buscam alternativas sustentáveis, como a aviação e o transporte de longa distância, que representaram aproximadamente 23% das emissões globais de dióxido de carbono.
Por fim, a Acelen Renováveis complementa que seu projeto pode movimentar até US$ 40 bilhões na economia brasileira e gerar até 85 mil empregos até 2035. A estratégia de utilizar a biodiversidade brasileira para a transição energética é vista como uma oportunidade significativa para o futuro do país.
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