Número de contratos de financiamento rural cresce significativamente na região Sul.

Muitos jovens agricultores sonham em comprar suas próprias terras e permanecer na atividade rural, mas enfrentam desafios significativos como o alto custo da propriedade, exigências documentais e burocráticas para obter financiamento.
No cenário atual, o crédito fundiário tem se destacado como uma solução viável. Na região Sul do Brasil, o número de contratos de financiamento quase dobrou entre 2024 e 2025, subindo de 191 para 383 operações. O volume de recursos liberados também teve um aumento expressivo, passando de R$ 32,2 milhões para R$ 89,8 milhões, representando um crescimento de cerca de 179%.
✨ O Rio Grande do Sul liderou as contratações em 2025, seguido pelo Paraná e Santa Catarina.
Para os jovens agricultores, como Diego Samuel de Souza de 21 anos, o crédito fundiário não apenas representa a aquisição de um patrimônio, mas também a continuidade do trabalho em família. Ele está em processo de financiamento para comprar uma propriedade que pertenceu à avó, embora tenha enfrentado a burocracia necessária para a aprovação do empréstimo.
As dificuldades no acesso à terra são um ponto comum mencionado por entidades ligadas aos trabalhadores rurais, que alertam que essa situação pode afastar os jovens do campo em busca de oportunidades urbanas. Muitos acreditam que a implementação do crédito fundiário é crucial para garantir que os jovens tenham acesso à terra e possam manter suas atividades rurais.
Entidades do setor agrário informam que, apesar do aumento nas operações de crédito, a demanda ainda supera a quantidade de contratos realizados, com mais de 500 propostas aguardando análise. O estado do Paraná, por exemplo, apresenta cerca de 500 demandas registrados por uma plataforma local, com a meta de atender mil famílias no período mais curto possível.
Além dos aspectos financeiros, as propriedades rurais devem estar regularizadas e georreferenciadas, um requisito que pode prolongar as operações de crédito. O custo das propriedades é um obstáculo adicional, com o Paraná apresentando um valor médio de R$ 265,6 mil por operação, o maior na região Sul.
Os pequenos agricultores são a grande maioria dos beneficiários do crédito fundiário, e a estrutura fundiária da região Sul facilita operações envolvendo áreas menores. Em 2025, cerca de 45% das operações foram destinadas a jovens agricultores.
Representantes da agricultura familiar argumentam que o financiamento deve ser integrado a outras políticas públicas. Após adquirir a terra, os agricultores precisam de mais do que apenas acesso à propriedade; eles requerem assistência técnica, recursos para produção e meios de comercializar sua produção.
Para garantir que o crédito fundiário funcione como um instrumento sustentável, é fundamental que as condições sejam ampliadas para atender às necessidades dos jovens agricultores, assegurando a sua permanência no campo e a continuidade da produção agrícola.



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Jornalista especializado em Agronegócio

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