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Agronegócio
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Adoção de práticas ESG no agro pode gerar R$ 247 bi anuais

Desafios e oportunidades para o setor agrícola brasileiro até 2029

João Pereira21 de maio de 2026 às 07:10
Adoção de práticas ESG no agro pode gerar R$ 247 bi anuais

Durante a COP30 em Belém, um estudo promovido pela EY-Parthenon revelou que a plena adoção das práticas de sustentabilidade conhecidas como ESG no agronegócio brasileiro tem potencial para gerar anualmente R$ 247 bilhões e evitar a emissão de mais de 328 milhões de toneladas de CO₂.

Apesar desse impressionante potencial, o setor enfrenta desafios por causa de uma resistência reputacional em mercados que priorizam a sustentabilidade. Para entender essa resistência, é preciso realizar um diagnóstico que, até agora, o agronegócio reluta em fazer.

Mudanças nas exigências do mercado

A Resolução 193 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tornou obrigatória, a partir de 2026, a divulgação de relatórios de sustentabilidade seguindo os padrões do Conselho Internacional de Padrões de Sustentabilidade. Além disso, o Plano Safra oferece incentivos a quem possui certificação ambiental.

93% das grandes empresas já publicam relatórios de sustentabilidade, mas isso diminui o diferencial competitivo.

Enquanto a maioria dos concorrentes já apresenta esse tipo de documentação, a sustentabilidade se transforma em um pré-requisito em vez de uma vantagem. Isso ocorre em um período em que uma série de regulamentações está prestes a entrar em vigor, exigindo um nível de conformidade ambiental muito mais rigoroso.

Entre 2026 e 2029, o setor agro enfrentará cinco novas regulamentações que transformarão o cenário do comércio exterior. O acordo entre a União Europeia e o Mercosul, por exemplo, exigirá que os produtos brasileiros estejam alinhados com as diretrizes do Acordo de Paris, além de rastreabilidade em várias cadeias produtivas.

Distorção entre ação e percepção

Com um monitoramento ativo, a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) identificou cerca de 79 mil publicações negativas sobre o setor no X, alcançando 390 milhões de pessoas, as quais provêm, na sua maioria, da Europa e dos Estados Unidos.

Apesar do Brasil preservar 246 milhões de hectares de vegetação nativa e ter cumprido as metas do Plano ABC, a percepção internacional ainda é desfavorável. Uma pesquisa da Boston Consulting Group mostra que, enquanto 80% dos agricultores consideram a sustentabilidade importante, apenas 14% a veem como um fator crucial para o sucesso financeiro.

80% dos consumidores globais estão dispostos a pagar mais por produtos com credenciais sustentáveis.

Embora exista uma demanda clara por produtos sustentáveis, a conexão entre os produtores brasileiros e os consumidores internacionais ainda precisa ser fortalecida por meio de uma narrativa de marca efetiva.

As próximas safras serão decisivas para determinar quem conseguirá capitalizar sobre essa oportunidade. O investimento atual em certificações e relatórios ESG deve ser considerado uma infraestrutura que possibilita o acesso a novos mercados, e não apenas um cumprimento regulatório.

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Tratar a narrativa de marca com dados de carbono como infraestrutura de acesso a mercado é crucial para o sucesso do setor agrícola.

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