O equilíbrio entre crescimento e imunidade impacta a agricultura

A interação entre o crescimento e a defesa das plantas é uma luta contínua por recursos, segundo Larissa Rossini, gerente de desenvolvimento de campo. Este equilíbrio destaca a importância do microbioma rizosférico na eficiência metabólica e na resiliência das culturas.
✨ Quando as plantas alocam energia para crescimento, menos energia é disponível para a defesa.
As plantas operam dentro de limites metabólicos rigorosos, onde cada mol de ATP utilizado na produção de biomassa não pode ser aplicado em defesa. Clássicas estimativas sugerem que até 40% da fotossíntese é direcionada à rizosfera através de exsudatos, que não são um desperdício, mas sim um investimento em serviços prestados pelos microrganismos do solo.
A arquitetura molecular deste intercâmbio envolve várias vias de sinalização. As vias TOR e SnRK1 atuam como sensores entre o crescimento e a sobrevivência, enquanto o ácido salicílico está vinculado à defesa contra patógenos biotróficos. Por sua vez, o jasmonato e o etileno defendem as plantas de necrotróficos e herbívoros. Receptores como PRRs detectam padrões moleculares de microrganismos, ativando as defesas iniciais.
Um desequilíbrio notável surge em condições de excesso de nitrogênio, principalmente na forma de nitrato, que acelera o crescimento mas compromete a resposta do ácido salicílico e do gene PR-1. O resultado é um aumento no crescimento da planta, mas uma diminuição na sua imunidade.
✨ As plantas, sob forte influência do microbioma, podem manter a saúde ao terceirizar nutrição e defesa.
Os microrganismos na rizosfera, como Rhizobium e Azospirillum, podem fornecer entre 40 a 200 quilos de nitrogênio por hectare anualmente. Também, solubilizadores de fósforo como Bacillus e Pseudomonas ajudam o crescimento por meio da liberação de ácidos orgânicos. As micorrizas de Glomus e Rhizophagus são capazes de oferecer até 80% do fósforo e 25% do nitrogênio necessários.
Este conceito descreve como a planta utiliza exsudatos ricos em carbono para equilibrar sua nutrição e defesa, atenuando impactos negativos como seca ou pragas.
Estudos mostram que manter o microbioma pode reduzir o uso de fertilizantes sintéticos em até 50%. Assim, práticas como rotação de culturas, cobertura do solo, e uso criterioso de fungicidas são vistas como estratégias que podem não só salvar custos, mas também aumentar a produtividade e resiliência das culturas.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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