Conflitos no Oriente Médio impactam finanças do agronegócio brasileiro

As empresas do agronegócio brasileiro conseguiram manter lucros no primeiro trimestre, apesar da turbulência gerada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, mas enfrentam uma deterioração nas suas finanças que deve se acentuar no segundo trimestre.
Analistas apontam que o aumento dos custos de transporte, decorrente da alta no preço do petróleo e das mudanças nas rotas de frete, será um fator determinante para a queda do lucro líquido. Gustavo Troyano, do Itaú BBA, destacou que o custo elevado de transporte impacta diretamente no preço pago pelos produtores, reduzindo a rentabilidade.
✨ O conflito no Oriente Médio está pressionando os custos de transporte e fertilizantes, com riscos adicionais para o lucro das empresas.
De acordo com dados do Valor Data, entre 18 empresas analisadas, 11 registraram queda na receita líquida no primeiro trimestre. Embora 15 delas tenham sido lucrativas, nove viram sua margem de lucro encolher, refletindo um cenário desafiador.
Outro fator preocupante é a elevada taxa básica de juros, a Selic, que não teve cortes significativos como os esperados antes do início do conflito. Em março e abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) fez cortes modestos, insuficientes para aliviar a carga sobre as empresas de agronegócio, cujas dívidas estão atreladas à Selic.
"A redução da taxa de juros foi 0,75 ponto a menos do que se esperava antes do conflito; isso tem um impacto substancial no planejamento das empresas
Empresas como SLC e Camil estão enfrentando um aumento na alavancagem, com a relação entre dívida líquida e Ebitda subindo para patamares preocupantes.
Ivo Brum, diretor financeiro da SLC Agrícola, afirmou que a expectativa é de que a recuperação das margens de lucro demore até 2027. A forte alta nos preços dos fertilizantes, especialmente os nitrogenados, está impactando os custos de produção, agravando a situação com a continuidade da guerra.
Os preços dos fertilizantes subiram mais de 60% devido a dificuldades de escoamento no Oriente Médio, comprometendo a rentabilidade dos agricultores.
Além dos efeitos da guerra, os analistas preveem desafios adicionais, como a alta dos preços da carne no Brasil e nos Estados Unidos, e a pressão cambial com a valorização do real em relação ao dólar, que prejudica as exportações brasileiras.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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