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Agronegócio
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Agronegócio brasileiro enfrenta desafios climáticos e geopolíticos

Setor se mostra despreparado para os impactos das mudanças climáticas e tensões internacionais

Ricardo Alves08 de junho de 2026 às 05:15
Agronegócio brasileiro enfrenta desafios climáticos e geopolíticos

O agronegócio no Brasil está enfrentando sérios desafios relacionados às mudanças climáticas e à geopolítica, com líderes do setor reconhecendo que estão mal preparados para lidar com esses riscos. Um novo estudo realizado pela EY Brasil, que envolveu 52 empresas de diferentes elos da cadeia produtiva, confirma que o clima continua a ser a maior preocupação do setor, enquanto a geopolítica se torna uma nova fonte de apreensão.

Preocupações Crescentes

Os dados da pesquisa mostram que 79% das empresas consultadas consideram os riscos climáticos elevados ou muito elevados, e que o setor se sente inadequadamente preparado para enfrentar esses desafios. Segundo especialistas, a falta de investimento em pesquisa e no fortalecimento de sistemas de seguro rural, assim como uma abordagem mais robusta em relação à conservação das florestas, são informações que necessitam de atenção.

Trinta e três por cento da soja plantada no Rio Grande do Sul é perdida a cada quatro safras, um impacto significativo que destaca a urgência da reavaliação do zoneamento agrícola.

Otavio Lopes, sócio-líder de agronegócio da EY, ressalta que, apesar do avanço tecnológico no Brasil, como o uso de agricultura de precisão, o zoneamento agrícola não está alinhado com o novo mapa de riscos climáticos. Ele aponta que a situação atual requer uma reavaliação das práticas de plantio frente aos novos padrões climáticos, enfatizando a necessidade de adaptação rápida.

Desafios e Propostas

Marcelo Morandi, da Embrapa, destaca que, embora o setor tenha se preparado para lidar com as variáveis climáticas, contínuas lacunas, como a baixa cobertura de seguros, ainda expõem os produtores aos riscos. Ele argumenta que o investimento em pesquisa deve aumentar consideravelmente para acompanhar a velocidade das mudanças climáticas.

Ingo Plöger, presidente da Abag, menciona que embora a maioria dos agricultores saiba sobre a questão climática, os impactos severos de eventos extremos podem inviabilizar suas atividades. Ele sugere a criação de um fundo de emergência climática e um avanço nas políticas de seguro rural como medidas necessárias.

Por outro lado, Paulo Barreto, do Imazon, critica a postura inconsistente do setor em relação à conservação das florestas, destacando a necessidade de políticas que integrem a restauração florestal e a proteção ambiental.

Geopolítica e Estratégia de Mercado

Em termos de geopolítica, a confiança do agronegócio brasileiro está ameaçada pela concentração excessiva de mercados. Lopes alerta que a dependência de rotas rodoviárias e a falta de infraestrutura de armazenamento comprometem a capacidade do setor de reagir às sanções internacionais. Em resposta, Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil, sugere que diversificar os mercados é a estratégia mais eficaz para enfrentar barreiras comerciais crescentes.

"

O agronegócio deve diversificar. Para produtos que não entram mais nos EUA ou que estão sob ameaça de restrições na Europa, é crucial buscar novos mercados

Rubens Barbosa.

A necessidade de proatividade nos acordos diplomáticos e comerciais globais também é defendida por Leandro Gilio, do Insper, que acredita que antecipar crises é essencial para evitar reações tardias.

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