Altieri alerta para crise no agronegócio brasileiro em 2026
Necessidade de aumento nos preços dos grãos é urgente para agricultores

Em meio a uma crise sem precedentes, o agronegócio no Brasil enfrenta sérios desafios, segundo Marcelo Altieri, presidente da Yara Brasil. Ele destaca que a alta nos preços dos grãos é crucial para reverter a difícil situação que os produtores enfrentam.
Altieri, em uma entrevista ao programa CNN Agro, expressou preocupação com o que classifica como a pior situação para o agricultor nos últimos 20 anos. Sem a recuperação nos preços das commodities, os produtores poderão ter dificuldade para equilibrar suas contas.
✨ O maior risco do agronegócio atualmente é a inadimplência entre produtores e agroindústrias.
A pressão provocada pela taxa de juros, estimada em 24% ao ano, torna cada vez mais difícil para os agricultores honrarem seus compromissos financeiros. O custo do arrendamento de terras, que se aproxima desse percentual, representa um fardo adicional para quem não possui propriedades próprias.
Além disso, o cenário se agrava com a dificuldade de acesso ao crédito, uma vez que os bancos estão restringindo a concessão de financiamentos e os fornecedores estão limitando suas operações, especialmente devido ao aumento dos processos de recuperação judicial no setor.
O aumento do custo de produção, particularmente no setor de fertilizantes, também tem contribuído para a turbulência atual. Segundo Altieri, a recente compra de ureia pela Índia a US$ 943 por tonelada, comparada a US$ 505 antes dos conflitos no Oriente Médio, ilustra bem a disparidade em preços devido à escassez na oferta. Além disso, a China suspendeu suas exportações de fertilizantes até agosto, complicando ainda mais a situação.
A combinação de demanda fraca, oferta limitada e altos preços cria, segundo ele, uma ‘tempestade perfeita’ que compromete o Plano Nacional de Fertilizantes e a viabilidade de iniciativas estruturais a longo prazo no Brasil.
Contexto
As incertezas provocadas por conflitos globais, como a guerra na Rússia e Ucrânia e os recentes eventos no Oriente Médio, realçam a necessidade de discussão sobre a produção de fertilizantes no Brasil. No entanto, o país carece de infraestrutura adequada para receber insumos que poderiam estimular a produção em larga escala.
Apesar dos desafios, a Yara planeja cumprir seus contratos e fornecer fertilizantes para a safra de verão. A empresa aprendeu com perdas anteriores e ajustou suas práticas de fornecimento, garantindo que não haja estoques excessivos nem prejuízos financeiros.
Estimativas apontam que, em 2025, o Brasil consumiu cerca de 49 milhões de toneladas de fertilizantes, mas especialistas acreditam que esse número deve cair em 2026, com a adoção de produtos mais acessíveis. Além disso, as distribuidoras estão alertas quanto ao aumento da inadimplência, especialmente com a aproximação do prazo de pagamentos em abril, conhecido como 'dia D'.
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