Anapa denuncia queda na produção de alho devido a importações
Queda de até 20% na área plantada é esperada em 2026.

A Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa) prevê uma retração significativa na área de cultivo de alho no Brasil, que deve sofrer uma queda entre 15% e 20% este ano. Essa diminuição é atribuída à forte concorrência com o alho argentino, que provocou uma superprodução e uma queda nos preços, impactando diretamente os pequenos produtores.
Rafael Corsino, presidente da Anapa, anunciou que a associação está se preparando para solicitar medidas antidumping contra o alho importado da Argentina, que entra no país sem tarifas devido às regras do Mercosul. Segundo Corsino, a entrada de alho argentino a preços abaixo do custo de produção brasileiro prejudica os agricultores locais, que amargaram prejuízos significativos no ano anterior.
"Os produtores brasileiros perderam dinheiro com a excessiva oferta do alho argentino, e a situação foi particularmente crítica para os agricultores familiares da região Sul, que não conseguiram vender nem 20% de sua produção. Com esses prejuízos, muitos não conseguirão manter a mesma área plantada este ano.
Em 2024, o Brasil importou 10 milhões de caixas de alho argentino e, no ano seguinte, foram mais 8,7 milhões. A expectativa é que este volume supere 10 milhões novamente. Corsino destacou que o alho argentino tem sido vendido a preços inferiores ao custo de produção, levantando dúvidas sobre a legalidade dessas importações.
✨ Nos últimos sete anos, a Argentina exportou alho ao Brasil a preços abaixo de US$ 9 por caixa, enquanto o custo de produção é estimado em US$ 18.
Dados do Ministério de Comércio Exterior revelam que as importações brasileiras de alho fresco aumentaram 9,1% em 2025, atingindo 158,8 mil toneladas. A Argentina foi o maior fornecedor, seguida pela China e outros países como Egito, Chile, Espanha e Peru.
Contexto sobre a produção de alho no Brasil
Cerca de 80% dos 40 mil produtores de alho no Brasil são agricultores familiares. O cultivo de alho, que possui um custo de produção elevado, oferece 300 mil empregos diretos e indiretos e gera um PIB de aproximadamente R$ 7 bilhões.
O cultivo de alho no Brasil é predominantemente manual e exige investimento significativo. Em regiões como o Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, a plantação ocorre entre fevereiro e junho, com a colheita variando entre julho e outubro. Na região Sul, majoritariamente agrícola até os anos 90, o plantio acontece entre maio e julho e é realizado por agricultores familiares.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informa que, em 2024, o Brasil produziu 172,8 mil toneladas de alho, cobrindo parte do consumo nacional, que gira em torno de 360 mil toneladas por ano. Isso revela que o Brasil ainda precisa importar um terço desse total, apesar das melhorias na produção interna.
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