Corteva Agriscience reporta crescimento de 80% na negociação de produtos por barter em 2025.

Juros altos, crédito mais seletivo e oscilações nos preços das commodities têm levado os agricultores a adotar novas estratégias para planejar suas safras. O cenário atual não só altera a forma de produção, como também impacta diretamente o financiamento da atividade agrícola.
De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAP), durante os meses de julho e agosto, as Cédulas de Produto Rural (CPRs) representaram 49,2% dos recursos contratados pelos produtores, superando o crédito tradicional de custeio. Contudo, garantir financiamentos não é suficiente; é preciso também mitigar os riscos trazidos pela volatilidade do mercado.
✨ A Corteva Agriscience viu o volume de produtos negociados via barter ultrapassar 1 bilhão de dólares em 2025, um aumento de 80% em relação ao ano anterior.
O barter, que permite o planejamento antecipado de gastos e travamento da troca entre insumos e grãos a serem entregues na colheita, tem se destacado como uma solução para a incerteza econômica. Segundo Fernando Borba, diretor de Barter da Corteva no Brasil, 65% dos produtores que realizaram operações com barter nos últimos três anos voltaram a utilizá-lo.
Durante o Global Agribusiness Festival em São Paulo, a empresa informou que mais de 40% das suas vendas entre janeiro e setembro deste ano foram feitas pela plataforma de barter. A Corteva não compra diretamente a commodity, mas colabora com tradings para vender os grãos, enquanto sua mesa de comercialização estrutura fluxos de hedge para garantir preços competitivos.
Tradicionalmente associado à soja e ao algodão, o barter tem expandido para outras cadeias, com destaque para milho, amendoim, arroz, feijão e cana-de-açúcar. O Cerrado permanece como um dos principais locais de sua adoção, com Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul liderando o uso da prática, que também está ganhando popularidade no Matopiba e no Rio Grande do Sul.
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Jornalista especializado em Agronegócio

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